Empresários cobram apoio do governo, horários mais flexíveis para abertura e compra de mais vacinas
Diretores e presidentes de instituições empresariais de Guarulhos ouvidos pela reportagem do GRU Diário afirmaram que a implantação da fase vermelha na cidade, que obriga novamente os serviços não essenciais a fecharem as portas, terá impacto negativo de mais desemprego e falências na cidade.
Entre e março e abril do ano passado, de acordo com o IPC Maps, mais de 12.591 empresas fecharam ou deixaram a cidade entre abril de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior. A data citada pode ser considerada o ápice do impacto econômico durante o início da pandemia. Um ano depois, com o fechamento total de serviços não essenciais novamente, a expectativa é de um novo saldo negativo.
Nesta nova fase da pandemia, Guarulhos tem beirado o colapso da rede municipal de saúde e mesmo a rede privada não possui leitos para alugar. De 15 hospitais consultados pela Prefeitura, apenas um retornou com a disponibilidade de vagas de UTI e enfermaria.
“Infelizmente irá ter muito desemprego e falência. O comércio ainda não se recuperou da primeira fase. Para quem sobreviveu, agora a situação é dramática”, argumentou Silvio Alves, presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Guarulhos.
De acordo com empresário, é necessário ter apoio dos governos federal, estadual e municipal para que se consiga sobreviver a esta fase.
Presidente da Asec (Associação dos Empresários de Cumbica), José de Araújo Júnior também acredita que muitas empresas passarão dificuldades com esse regresso para a fase vermelha e algumas não vão resistir e infelizmente vão fechar.
“Não acho necessário esse fechamento, existem outras medidas que podem ser adotadas para minimizar ambos os problemas, saúde e financeiro, como restrições rígidas para as empresas abertas em relação aos cuidados com a saúde, horários diferentes de aberturas do comércio e shoppings, mais ônibus nas ruas, incentivar trabalho home office, entre outras medidas”, afirmou o empresário.
Júnior também subiu o tom contra o poder público. “Não deviam ter acabado com hospitais de campanha antes da vacina ou do problema estar resolvido, um contra senso enorme: dinheiro jogado fora ou oportunidade?”, afirmou.
Na tarde de segunda-feira (8), o governador João Doria (PSDB) anunciou a implantação de 11 hospitais de campanha, nenhum deles em Guarulhos. O prefeito Guti (PSD) já afirmou, em live realizada na semana passada, que neste momento prefere optar pelo aluguel de leitos na rede privada.
“Não podemos viver nesse vai e vem. Nossa prioridade sempre deve ser a saúde, mas pessoas também morrem de estresse, fome, depressão, um problema social que pouco aparece na mídia”, concluiu o presidente da Asec.
Diretor Titular do Ciesp Guarulhos, Maurício Colin disse que ao contrário do que muitos pensam, a indústria, apesar de continuar a funcionar durante a fase vermelha, sente os impactos do fechamento de outros setores.
“As pessoas, às vezes, pensam que a indústria tem vantagem. É que você tem aglomeração, o público é o mesmo todo dia, seguem os protocolos, mas nós sentimos o impacto em seguida: o mercado para, as pessoas não consomem e não vem demanda para a indústria”, afirmou Colin.
O industrial acredita que os governos precisam meter a mão no bolso e entregar crédito para os pequenos empresários, que são os principais geradores de emprego.
“Os governos precisam entender que eles vão aumentar sua dívida interna para que eles não tenham outro colapso econômico, tem que haver um socorro”, defendeu o diretor do Ciesp Guarulhos.
Outro ponto citado por Colin é a vacinação. Para ele, os gestores públicos devem adquirir as vacinas que estiverem à disposição no mercado e evitar a politicagem. Colin fazia parte de um grupo de empresários que pretendia adquirir vacinas sob a condição de ceder metade do lote para o poder público. As negociações não prosperaram.
De fevereiro para março, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reduziu a expectativa de vacinas de 46 milhões para 28 milhões o número de doses do Butantan e da Fiocruz até o final deste mês.
Outra medida defendida pelo industrial é a prorrogação de tributos, mesmo municipais, como o IPTU.
Transporte Público
Membro do Conselho Fiscal da Asec, o empresário Aarão Ruben Oliveira defendeu a ampliação da oferta de ônibus do transporte público para evitar aglomerações de funcionários, medida que foi encaminhada à Prefeitura de Guarulhos e Guarupass, que afirmou que irá adequar a demanda.
Fase Vermelha
A Fase Vermelha do Plano São Paulo é válida até o dia 14 deste mês, mas especialistas acreditam que a medida deve ser prorrogada por mais 14 dias para que a pandemia possa ser controlada no Estado.
Auxílio Emergencial
Até o momento, ainda não há uma data exata para retomada do auxílio emergencial, que deve ter uma redução no valor de R$ 600 para R$ 250. A expectativa é que o benefício retorne este mês.
Prejuízo
A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) estima que a perda financeira no comércio varejista paulista será de R$ 11 bilhões neste mês.



