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Bacelarismo: Para todo fim, há um começo

Fernando Diniz, técnico da Seleção Brasileira
Foto: Rodrigo Ferreira/CBF
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Notícias sobre o futebol brasileiro nos últimos dias nos dão a sensação de que tudo está acabado, mas o esporte ainda tem o poder de fascinar

É muito difícil escrever uma coluna sobre esportes, sobretudo futebol, nesta semana. Aconteceram tantas coisas surreais nos últimos dias que fica até difícil comentar algo. Mas vou tentar.

E tentarei, entre outros motivos, porque o futebol não se limita à violência e palavras grosseiras. O esporte é maior do que tudo isso.

Falando um pouco sobre as coisas negativas, creio que seja desnecessário falar o quão absurda foi a agressão de torcedores do Corinthians ao jogador Luan. Foi um crime e os responsáveis devem ser penalizados como criminosos. Não existe outra palavra para defini-los. Seus rostos são conhecidos. Eles mesmos postaram imagens nas redes sociais. Agora, as autoridades devem agir.

Outro ponto importante a se destacar é a insistência de as pessoas responsabilizarem o futebol por tais atrocidades. Vivemos em uma sociedade violenta desde 1500, quando os portugueses fizeram o que fizeram com os nativos da nossa terra. O comportamento dos torcedores é um reflexo de toda essa violência diária que nós enfrentamos. Não há como desassociar uma coisa da outra.

A diferença no futebol é que, em bando, esses caras (e sempre são homens) acreditam que nunca serão pegos. Eles confiam na impunidade. Tanto que não tiveram nenhum pudor em se expor nas redes sociais, com a justificativa de que agredir o Luan era a vontade de 37 milhões de corintianos. Eu sou corintiano e tenho várias ressalvas em relação ao Luan. Mas nunca tive vontade de agredi-lo.

Além da agressão ao jogador do Corinthians, vimos uma troca de “gentilezas” entre CBF e Palmeiras, iniciada por um comentário infeliz do auxiliar técnico palmeirense, João Martins. Sim, o futebol brasileiro pode e deve ser melhorado em todos os aspectos. Inclusive, em sua cobertura jornalística. Mas João tratou o produto no qual trabalha (e ganha) bem como algo desprezível. E a pergunta que fica é a seguinte: Por que está aqui há quase três anos se acredita que o futebol brasileiro é perda de tempo? Estaria ele próprio desperdiçando esforços em algo que não presta? Deixo aqui os questionamentos.

Para fechar os acontecimentos caóticos, vimos a CBF completamente perdida ao anunciar Fernando Diniz como técnico interino da Seleção Brasileira.

Sou um grande defensor do Diniz. Sei que seus trabalhos não têm prazos longos e que, muitas vezes, falta-lhe repertório. Mas quando o trabalho encaixa, é algo bonito de se ver. E dá resultado. O Flu, mais uma vez, tem feito um campeonato digno, embora oscilante.

Dito isso, tem cabimento colocar um técnico do tamanho dele como interino? Tem cabimento ele dividir as atenções entre Fluminense e Seleção? Como será a transição para a (possível) chegada de Ancelotti? Como bem disse a ótima jornalista Taynah Espinoza, da TNT Sports, o Brasil tem dois técnicos ao mesmo tempo em que não tem nenhum. Chega a ser constrangedor.

Apesar de tanta loucura, queria terminar o texto com esperança. A esperança de um começo impulsionado, justamente, pelo futebol. Meu sobrinho Felipe, de 10 anos, viu o Corinthians pela primeira na Neo Química Arena. O placar não ajudou, mas fica a certeza de que ele adorou a experiência e tem se emocionado cada vez mais com o esporte. E é nisso que me apego: para cada situação que parece ser o fim, sempre há alguém que está começando a amar o futebol, porque, apesar de tudo, ele é realmente apaixonante.

*Vinícius Bacelar é jornalista, formado pela Universidade São Judas Tadeu, acumula passagens por algumas das principais redações do Brasil, como Agora S.Paulo, Folha de S. Paulo, R7 e UOL. Também foi editor do Metrô News. Como assessor de imprensa atuou nas eleições municipais de Guarulhos de 2016. Posteriormente, atendeu o Esporte Clube Água Santa, o Bangu Atlético Clube e o Boston City FC Brasil, além de atletas, técnicos e dirigentes.

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