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Bacelarismo: Brasileirão virou um grande interclasses

Gabigol, do Santos
Foto: Reprodução/SporTV
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É impressionante como homens, em geral, têm dificuldades para amadurecer e vivem numa eterna quinta série

Eu juro que queria falar sobre Seleção Brasileira. Mas vamos ter muito tempo para isso. Outro assunto que me chama a atenção é o desprezo dos brasileiros pela Sul-Americana. Mas é um tema que também pode voltar em outro momento.

Então, vamos logo ao mote da coluna de hoje: o grande interclasses que virou o Brasileirão.

Que nós, homens, demoramos para amadurecer, não é nenhuma novidade. Que os jogadores brasileiros não suportam ser contrariados, também já é de conhecimento geral. É só ver os famosos “bolinhos” que eles fazem em volta dos juízes a cada decisão contrária aos seus times. Não importa qual equipe seja. Além, claro, das declarações pós-jogos em que a arbitragem, invariavelmente, é massacrada e responsabilizada por quaisquer resultados negativos.

Mas no Brasileirão de 2026, essa imaturidade masculina passou de todos os limites. Tivemos quatro gestos obscenos – embora o do Bobadilla não tenha sido interpretado assim pelo juiz Anderson Daronco – em menos de um turno de campeonato. E a pergunta que não quer calar: Por que? Por que homens milionários, com 20, 30 anos nas costas, acham que pegar na genitália é a resposta para tudo? É inacreditável presenciar esse festival de cenas grotescas, rodada após rodada, na competição de futebol mais importante no país pentacampeão mundial.

O último a fazer isso foi Gabigol, parceiro de Neymar e cogitado para ir à Copa do Catar em 2022.

O mais chocante no caso do camisa 9 santista é o contexto do gesto. Ele havia acabado de marcar o terceiro gol do seu time no triunfo diante do Vitória – a partida acabou 3 a 1 para o Peixe.

Aí, ele resolve celebrar com a torcida e recebe o amarelo. Uma atitude já questionável, mas perdoável, visto que muitos atletas fazem o mesmo. O que não anula o fato de ter sido um cartão bobo.

Porém, já não bastasse o amarelo evitável, vem o ápice: o gesto obsceno e o vermelho direto. Tudo isso em segundos. Tudo isso após um gol. Tudo isso em um jogo que caminhava tranquilo para o Santos. E olha que tranquilidade não tem sido algo comum na Vila Belmiro.

É impressionante e deplorável que a mão na genitália tenha virado uma epidemia no futebol brasileiro. Uma falta de respeito com todos os envolvidos nos jogos – e não são poucos.

Parece que nunca aprendemos com os erros. Pelo contrário, fazemos questão de repetí-los. Se o corintiano Allan não tivesse feito o gesto na partida contra o Fluminense, seu companheiro de clube, André, teria feito o mesmo diante do Palmeiras?

É difícil saber, mas tudo leva a crer que os casos subsequentes tiveram uma inspiração.

E nem a expulsão de Allan, muito menos a péssima repercussão que sua atitude teve, foram capazes de gerar uma conscientização. Ao invés disso, o gesto obsceno do camisa 29 do Corinthians destravou o Nintendo da má-educação.

Sim, muitos de vocês, principalmente os corintianos, vão dizer que outras pessoas já colocaram a mão indevidamente nas genitálias durante um jogo de futebol. Muito antes do volante alvinegro.

E é verdade. Como também é verdade que o caso do Allan foi o mais escancarado e, por isso, o de maior repercussão até então.

A real é que também não importa onde, quando e quem começou. E, sim, que é preciso parar. Agora. Já.

A única bola que nos interessa é a que rola no campo.

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