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Novo normal

Foto: Marcopolo/Divulgação
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Pandemia traz mudanças significativas para o nosso cotidiano

Estou acompanhando diversos debates no campo da engenharia sobre o retorno às atividades e ao “novo normal”. Interessante esse termo, ele nos faz perceber que a jamais poderemos voltar ao estado das coisas como eram AC19.


A pandemia causada pelo Novo Coronavírus traz mudanças das mais variadas e em todos os níveis da vida humana.

No campo dos transportes públicos, por exemplo, o impacto será expressivo, os ônibus, trens, metros, aviões e etc. terão que se adaptar à nova realidade, ou seja, ao novo normal. A empresa Marcopolo gigante na área de fabricação de ônibus, através de sua divisão de inovação a Marcopolo Next, passou a trabalhar numa forma de adaptar os ônibus de seus clientes, já que a compra de novos ônibus deverá ser difícil, devido à crise econômica gerada pelo “lockdown”, as adequações nos ônibus representam entre 18% e 20% do valor de um ônibus novo. Entre as inovações estão um novo desenho de posicionamento de poltronas, com dois corredores, cortinas de proteção antimicrobianas, desinfecção dos veículos por névoa e uso de raios ultravioletas nos sanitários.

As adaptações nas disposições dos ônibus é apenas um dos impactos gerados pelo Covid-19 no sistema de transporte. As aeronaves precisarão de sistemas de filtragem e eliminação de vírus e bactérias na circulação do ar durante os voos, bem como, controle no embarque e desembarque dos passageiros. Como escrevi em meu artigo: Antes e depois do covid-19, o papel da engenharia na mudança das eras. As mudanças nos equipamentos e sistemas de controle de acesso nos mais diversos locais, incluindo Aeroportos, Portos, Rodoviárias, Terminais de Passageiros e etc., serão bastante significativas.

Uma grande incógnita nesta questão de transporte público está nos meios de transporte de massa como ônibus, trem e metro.

Estes são os meios de transporte que impactam diretamente no dia a dia de milhares de pessoas, com maior potencial de contaminação e transmissão de patologias. São nesses que os controles são mais deficitários e bem menos exigentes e, obviamente, são nesses que o poder público deve ter maior atenção.

Foto: Divulgação

Tecnologias de controle de acesso, monitoramento de lotação, bem como, de uso de equipamentos de proteção pessoal, coletiva e dos transportes devem ser checados com maior frequência e metodologia. A pergunta é, como proceder esse tipo de controle se hoje mal se consegue cobrar que os ônibus saiam em seus horários predeterminados?

Essa gestão é imprescindível para o controle da mobilidade nos momentos de crise similares à que estamos vivendo. Tecnologia de pagamento prévio, com acesso por cartão ou chip de controle que as pessoas possam utilizar para que catracas possam ser abertas sem a necessidade de tocá-las, evitar pagamento com dinheiro, bem como, por meio desses cartões verificar se o ônibus atingiu o seu limite de lotação são cruciais. Já temos “Apps” que informam a localização e horário dos ônibus em uma determinada linha, é preciso que esses sistemas evoluam para o controle de lotação.

O conceito de novo normal passará, também, pelo comportamento e hábitos dos brasileiros, os costumes na hora de cumprimentar serão diferentes, o distanciamento social será uma marca profunda e permanente para todos.

A engenharia é protagonista nesse processo de transformação e adaptação, além das tecnologias e desenvolvimento de novas soluções em equipamentos e processos, trará impacto, também, na construção civil. As moradias uni e plurifamiliar deverão ser repensadas. As questões de mobilidade e sustentabilidade são, cada vez mais, fundamentais nos projetos. “Hall” de entrada com disposição de sapatos, casacos e equipamentos de verificação de temperatura e desinfecção das pessoas serão tão comuns quanto forno micro-ondas e geladeiras. Já consigo ver equipamentos como esses em listas de presentes de casamento.

Ponto importante que precisa ser revisto imediatamente é o da legislação. Exigência de medidas de prevenção e combate a doenças como o Covid-19 devem ser feitas já na aprovação dos novos projetos, bem como, exigência de equipamentos capazes de detectar as mudanças de temperatura do corpo, assepsia de pessoas e objetos ao acessar ou sair de determinados locais com grande circulação.

Foto: Divulgação

Em São Paulo Capital já tramita projeto de lei com medidas como as ditas acima. Guarulhos precisa agir rapidamente e propor legislação que atenda às novas necessidades sanitárias.

As cidades inteligentes devem passar por desconstrução e reconstrução de seus loteamentos, utilizando-se de planejamento voltado a questão sanitária e a verticalização desses polos urbanos deverá ser medida padrão, de forma que haja espaço para implementação de políticas públicas de mobilidade, acessibilidade e recuperação ambiental, liberando assim áreas de risco e de ocupações irregulares.

Não é possível manter as mesmas políticas que favorecem o crescimento desordenado. Trabalhar um planejamento e desenvolvimento urbano integrado, acessível e sustentável é fundamental para que as futuras gerações possam ter condições de viver nas cidades.

Propor a setorização das cidades, conforme suas vocações, com infraestrutura compatível não pode ficar só no campo das ideias. Infelizmente esse é um processo trabalhoso, lento e caro, que não se consegue executar completamente à curto prazo. É preciso um planejamento de cidade à longo prazo, com etapas bem definidas e continuadas, com entregas pontuais que possibilitem a verificação do andamento do processo, bem como, não gere desânimo por parecer que não há progressão. O grande entrave para que isso aconteça é o fator eleitoral, ele costuma atrapalhar esse tipo de desenvolvimento mais longo, afinal, o calendário político se baseia em períodos de quatro em quatro anos e planos de governo costumam focar em reeleição ou sucessão e não em resolução de problemas estruturais.

O novo normal poderia ser menos impactante se não fosse a má gestão pública e da predileção por pensar eleitoralmente. Parte dos impactos que estamos vivendo, sobretudo no Brasil, se dão mais por questões políticas do que sanitárias, apesar de nosso país ser uma vergonha na questão de saúde pública e saneamento básico, para falar em apenas dois pontos.

Uma coisa é certa, por mais que tentemos minimizar as mudanças, elas devem ser grandes, uma vez que aprendamos a lição sobre o que está acontecendo, caso não tenhamos engajamento das pessoas, vamos deixar passar uma oportunidade única de nos preparar e adaptar para casos futuros, que, não se engane, irão acontecer, quer queiramos ou não.

E vocês, o que acham que vai mudar? Como entende que será o novo normal? Deixe usas impressões, críticas e sugestões nos comentários para que possamos ter um retorno do posicionamento e, quem sabe, tratar com maior profundidade e especificidade determinados ponto.

Sobre Joel Rodrigues

Joel Rodrigues é Engenheiro Civil, 41 anos, casado, dois filhos, MBA em Gestão de Negócios, pós-graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e Engenharia Ferroviária pelo Instituto de Pós-graduação de Goiânia.

Possui experiência de mais de 20 anos em projetos, obras e serviços de engenharia em empresas de Construção, Montagem, Manutenção Civil e Industrial, com atuação nos segmentos Aeroportuário, Hospitalar, Portuário, Transporte de Valores, Segurança Patrimonial, Naval, Concessões, Óleo & Gás, Obras Públicas, Infraestrutura entre outras.

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