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Antes e depois do covid-19, o papel da engenharia na mudança das eras

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Foto: Divulgação
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Vivemos um momento de transformação da sociedade

Estamos na chamada era pós-moderna ou pós-modernismo. Nesta era se busca incessantemente por maneiras de transformar o processo da vida humana. Os grandes intelectos por meio da engenharia e tecnologias cada vez mais avançadas procuram por um código que faria o mundo dar um salto evolutivo, algo tão disruptivo e inovador que faria o mundo mudar. Qual foi a surpresa ao ver que o fator disruptivo não teve nada de inovador, longe disso, foi gerado por uma das coisas mais primitivas do planeta, um vírus?

Que vivemos um momento histórico, acredito, é consenso, e que este momento é ponto de transformação da sociedade em praticamente todos os seus âmbitos é evidente e palpável, esses são elementos que quando juntos, normalmente, nos remete a uma nova era, um novo tempo. Para nós, contemporâneos, podemos entender que a passagem para essa nova era se iniciou quando a globalização transformada em uma entidade onipresente e onipotente fez de um problema sanitário, em um pequeno mercado, se espalhar a ponto de afetar todo o planeta, não poupando de metrópoles à pequenas cidades.

Se considerarmos que estamos em uma chamada nova era, como podermos nominá-la então? Será a era da pós-pandemia?

A vida na terra, até que surja um novo fato, tão poderoso e disruptivo, poderá ser claramente identificada como uma nova AC/DC, logicamente com o acréscimo de um morfema capaz de evitar eventuais enganos, ou seja, temos uma modernização do termo, antes originado na religião, agora nascido direto da ciência pós-moderna. Interessante como se apresentam as particularidades do “pré” e do “pós”, do antes e do depois, do prefixo e do sufixo, mas tirando o mergulho filosófico que isso pode trazer, fico bastante confortável para dizer que estamos num momento que, no futuro, será identificado como um novo marco no calendário evolutivo da humanidade, onde os fatos históricos serão tratados como acontecidos AC19/DC19, ou seja: antes do Covid-19 e depois do Covid-19.

Já passamos por algumas pandemias e vamos passar por outras, mas o que faz dessa uma agente tão transformadora?

Obviamente que muitos podem achar isso exagerado, mas se formos estudar os eventos que geraram mudanças significativas na humanidade, de forma tão profunda e transformadora, o Covid-19 é sim um marco histórico.

E a engenharia não poderia estar dissociada desse processo, afinal, é por meio dela que, neste momento de “#FiqueEmCasa”, tivemos que buscar novos meios de fazer o que fazíamos de forma tão natural.

Com o uso de softwares e hardwares concebidos por meio de engenharia desenvolvemos processos de virtualização de praticamente tudo, desde relações pessoais, profissionais, produção, prestação de serviços, comércio, cultura, lazer e até esporte!

Foto: Divulgação

Tivemos que nos reinventar. Muitos processos foram simplificados, gerando redução dos tempos de execução e de pessoas envolvidas. Exemplo disso são as reuniões entre clientes e fornecedores, que em muitas áreas eram longas e desgastantes, graças a virtualização das mesmas, transformaram-se em mais objetivas e assertivas. Nas transações comerciais podemos notar que o crescimento foi exponencial, até aquele pequeno comércio de bairro transformou seu relacionamento, antes presencial, em um processo virtual, com compra por meio de canais eletrônicos entrega delivery ou retirada no sistema drive thru. A transformação do processo não se conteve no comércio de produtos, mas também na prestação de serviços diversos.

Antes, uma consulta médica era feita com atendimento presencial em um consultório, depois, atendimento virtual e uso de tecnologias de ponta para fazer diagnósticos e encaminhamentos especializados. Você pode dizer: Ok, mas isso já acontecia! Claro que sim, mas apenas em um pequeno círculo econômico, não de forma tão abrangente ao ponto de deixar de ser novidade ou visto como modernidade, essa relação passou ser comum, usual.

Obviamente estamos vivendo o impacto de uma transformação abrupta, que teve tempo para maturação e uma adaptação gradual ou orgânica. Muitos aspectos causam efeitos negativos, além dos que a pandemia, por si, já representa. Esse processo não é fácil, a virtualização ou “remotização” trará desemprego, recessão, extinção de empresas, profissões e atividades. Infelizmente esse cenário é inevitável, mas todo fim de processo, representa um novo começo. Novas profissões irão surgir e outras tantas precisarão se adaptar. As relações vão evoluir e isso é ótimo!

Não estou celebrando o Covid-19, longe disso, todos esperavam que o fato disruptivo que nos levaria para uma nova era fosse causado por algo menos cruel e dolorido, no entanto, ele está aí e precisamos fazer aquilo que a humanidade sempre fez, adaptar-se frente às dificuldades que são apresentadas e prosperar. É preciso extrair, por mais difícil que possa ser, um olhar positivista, esperançoso. Agarrar uma situação desfavorável, e antes de aparecer, impensável, e transformar em oportunidade.

Assim como é inevitável que a interatividade e conectividade entre as pessoas e suas relações se elevem a outro patamar, teremos nessa nova era uma globalização de costumes, hábitos e processos, de forma muito mais rápida, desfazendo barreiras culturais e possibilitando a assimilação desses costumes, hábitos e processos, antes, exclusivos de um país ou região, depois, transformados em práticas globais.

Alguns modelos existentes, retrógrados e obsoletos, nessa nova era, proporcionarão uma fabulosa oportunidade para a engenharia. Serão necessários sistemas mais simples, interativos, autoexplicativos e amigáveis para operação, no entanto, para sua concepção e construção, eles terão maior complexidade. Equipamentos para uso remoto com maior eficiência e menor dependência humana para o funcionamento de um lado e uma economia mais solidária de outro.

Pode parecer que são conceitos contraditórios, mas não são.

Com o isolamento social físico, se ampliou a proximidade em outros campos. Houve uma evolução no relacionamento entre pessoas físicas e jurídicas, que é crescente e irreversível.

As empresas terão que entender que, nessa era, esse novo formato de relacionamento é acompanhado de uma necessidade de adequação de suas interações.

A vida AC19 é uma oportunidade de repensar, temos que aproveitar que esse evento global nos deu uma oportunidade de evoluir, mesmo que de forma terrível.

A economia global, das grandes corporações, que mantinha um relacionamento puramente capitalista e consumista se mostrou incompetente para superar uma crise sanitária global. As pessoas, de modo geral, perceberam que podem viver com menos, consumindo de forma mais moderada, entenderam o que é essencial e o que é supérfluo, nas relações comerciais a distância ajudou a aproximar e trouxe uma percepção de que é fundamental apoiar as pequenas empresas, os mercados do bairro, o comercio local e os prestadores de serviço independentes.

A corrida sem limites para o lucro se mostrou incompatível com a relação com a vida. O consumo de marcas está sendo repensado, as pessoas físicas estão buscando consumir o produto, e principalmente, se o mesmo vier de pessoas jurídicas com imagem mais solidárias e empáticas.

Até mesmo o mercado de trocas voltou a surgir com muita força, tudo possibilitado por sites, aplicativos e tecnologias que permitem esta modalidade de comércio.

A era DC19 se desenha como uma era de reinvenção do drive thru, do delivery, do atendimento e trabalho remoto e até do dinheiro eletrônico, as cripto moedas. Na era DC19 não só produtos são comercializados eletronicamente, mas também uma grande gama de serviços de forma geral.

É um momento extremamente desafiador e a engenharia como ferramenta de indução e transformação da humanidade não pode deixar de ser protagonista no mundo DC19, deve proporcionar o fortalecimento da resiliência nas pessoas para superar um momento de crise.

Foto: Divulgação/Neobrax

A engenharia, com novos sistemas, equipamentos, processos, forma de pensar e, obviamente, obras, será o motor de retomada não só da economia, mas da saúde e bem-estar das pessoas, afinal, para esse novo mundo virtual existir e trazer o equilíbrio com o mundo físico é preciso que ele seja construído e, nenhuma construção dessa magnitude pode ser feita sem a engenharia.

Exemplos de mudança de processos com uso de equipamentos com maior transformação da vida da população em geral pode ser exemplificada com as cabines de esterilização/higienização, que passarão a ser utilizadas mais amplamente em mercados, shoppings, estações de metrô, trem, terminais rodoviários, aeroportos, centros comerciais, condomínios empresariais, órgãos públicos e etc.

Se você acha que isso é coisa de um futuro distante, basta dar uma volta de metrô ou trem na capital paulista, uma das estações que já possui cabine de esterilização/higienização é a Estação Paraíso do Metro e Estação Tatuapé da CPTM, que estão em fase de testes, mas a transformação já se iniciou.

Em Goiânia, Capital de Goiás, o engenheiro Civil Alaor Júnior desenvolveu uma cabine para desinfectar roupas e equipamentos de proteção, diversas startups estão em pesquisa e desenvolvimento de equipamentos similares, cada vez mais baratos e práticos. Esses equipamentos serão tão comuns quanto as catracas e detectores de metais que utilizamos hoje. O controle de acesso será muito mais rígido nos próximos anos, com a integração de sistemas de identificação das pessoas, sua condição de saúde e aplicação de processo esterilizante ao acessar espaços públicos e de grande circulação. Entendo até que isso seja uma demanda que já possui um nicho de mercado bastante grande.

Temos companhias aéreas que já identificam virtualmente seus clientes com marcações no piso por meio de luzes e projetores 3D, a evolução desses sistemas integrando equipamentos de análise das condições de saúde das pessoas ao acessarem os transportes e a esterilização das mesmas, será crucial para se combater novas pandemias.

A tecnologia já existe, é preciso refinar e baratear os custos, quanto a isso, acredito ser importante termos um sistema econômico global mais colaborativista, cooperativista, sustentável, solidário e empático, os valores dos lucros deverão ser repensados, temos oportunidades, mas elas vêm com desafios.

Obviamente que as transações comerciais não deixarão de visar o lucro e o retorno de investimento, ocorre que com uma visão mais holística lucro e retorno do investimento poderão não ser só em dinheiro, mas em outros valores que podem gerar riqueza para uma sociedade ou país.

A engenharia também será fundamental na retomada em função de outras áreas em que ela exerce protagonismo, como na Infraestrutura, Agronegócio, Meio Ambiente, Construção Civil e Saneamento Básico, Transporte e Mobilidade Urbana para ficar apenas nas que considero principais.

Obras nos mais diversos setores serão alavancadores econômicos e representarão redução do nível de desemprego absorvendo trabalhadores de outros segmentos, mesmo com toda a mudança que acontecerá nestes também.

No Brasil, por exemplo, uma ampla gama de investimentos em concessões apresentam um horizonte positivo para o mercado e a engenharia é peça fundamental para a modernização, adequação e ampliação da infraestrutura de forma que possa superar os desafios dessa nova era.

A infraestrutura está conectada diretamente com a questão do agronegócio, e o meio ambiente. Com a utilização de técnicas mais modernas e sustentáveis, bem como, a replicação ou transposição de questões ambientais serão mais eficientes, proporcionando o crescimento contínuo da nossa capacidade de produzir alimentos com impactos menores, a preservação e até recuperação ambiental.

A construção civil foi, é e será parte de destaque econômico, sua parcela no PIB sempre foi relevante, quando se fala nesse segmento, apesar de não ser só isso, pensamos diretamente em habitação. A habitação e saneamento estão interligadas simbioticamente. Podemos perceber isso quando dizemos que estamos em uma crise sanitária. Soma-se a esses dois a questão de Transporte e Mobilidade Urbana, que de forma alguma deve ficar fora da modernização e transformação das cidades como conhecemos em smart cities.

Recuperação de áreas, construções mais sustentáveis, retirada de moradores de áreas de risco e submoradias, urbanização de favelas e áreas de invasão, recuperação de rios, córregos, implantação de um sistema universal de saneamento, transporte público integrado, acessível e intermodal, com controle e gestão inteligente sem dúvida alguma são ações que aumentarão muito a capacidade de enfrentamento de doenças, proliferação de patógenos e melhoria geral da saúde das pessoas.

Está aí o papel da engenharia na mudança das eras.

Será por meio da engenharia e dos avanços tecnológicos que ela representa que tornaremos possível que as pessoas se reinventem e que o mundo DC19 seja reconstruído. A oportunidade está aí, agora para transformar oportunidade em realizações é preciso vencer os desafios e essa transformação é possível, desde que as pessoas queiram.

* Joel Rodrigues é Engenheiro Civil, 41 anos, casado, dois filhos, MBA em Gestão de Negócios, pós-graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e Engenharia Ferroviária pelo Instituto de Pós-graduação de Goiânia. Possui experiência de mais de 20 anos em projetos, obras e serviços de engenharia em empresas de Construção, Montagem, Manutenção Civil e Industrial, com atuação nos segmentos Aeroportuário, Hospitalar, Portuário, Transporte de Valores, Segurança Patrimonial, Naval, Concessões, Óleo & Gás, Obras Públicas, Infraestrutura entre outras.

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