Apresentação também celebra os 70 anos de vida do artista
O espetáculo 50 Anos de Resistência e Vivência Musical será realizado nos dias 25 e 26 de julho, em Guarulhos, reunindo canções autorais, clássicos da música brasileira e histórias de uma trajetória marcada pela perseverança. O cantor, compositor e multi-instrumentista Nivaldo D’Ávilla comemora 50 anos de carreira em apresentações às 19h no anfiteatro da Biblioteca Monteiro Lobato, no Centro. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla.
Com aproximadamente duas horas de duração, o show contará com a participação do Bando do Vilarejo, formado por Hudson França (contrabaixo), Paulo Covero (percussão e voz), Samanta Silva (backing vocal) e Arielly Porto (piano).
A apresentação celebra não apenas os 50 anos dedicados à música, mas também os 70 anos de vida do artista, cuja história acompanha a formação cultural de Guarulhos.
No repertório Nivaldo revisita músicas dos álbuns Guaru das Margens (2005) e Guaru Urbanos (2024), ambos contemplados por editais do Funcultura (Fundo Municipal de Cultura), além de interpretações de grandes nomes da música brasileira, como Djavan, Tim Maia e O Rappa.
Uma trajetória construída pela resistência
O título do espetáculo sintetiza a própria caminhada do artista. Filho de trabalhadores braçais e descendente de africanos, Nivaldo viveu uma infância marcada pela pobreza e pelas constantes mudanças da família em busca de trabalho. Depois de passar por Tambaú, no interior paulista, estabeleceu-se em Guarulhos.
A situação da família tornou-se ainda mais difícil após um grave acidente sofrido pelo pai, que caiu em um poço durante a construção de uma escola em São Paulo, fraturando a coluna, a bacia e o tornozelo. O pai conviveu durante oito anos com fortes dores até falecer aos 51 anos.
“Para sobreviver catávamos recicláveis, fazíamos carretos na feira, limpávamos o esgoto e enfrentávamos o frio sem agasalhos”, lembra o músico.
Foi nesse ambiente de dificuldades que a música surgiu naturalmente.
“Cantar para a gente era como conversar. Crescemos em um ambiente de cantoria nas pequenas casas e nas fazendas. Meu pai era capitão de Folia de Reis e minha mãe cantava na igreja. Depois fui estudar música. Hoje canto e toco violão, piano e berimbau, entre outros instrumentos”, conta.
Da banda Raça-Zarte à carreira solo
A paixão pela composição começou cedo. Aos 12 anos Nivaldo já escrevia suas primeiras músicas, inspirado pela congada, pela Folia de Reis, pela catira e pela música regional que acompanhou sua família desde Minas Gerais até Tambaú e, posteriormente, ao bairro do Peruche, em São Paulo. Entre um trabalho e outro, chegou a engraxar sapatos de integrantes da escola de samba Unidos do Peruche.
Aos 21 anos fundou a banda Raça-Zarte, grupo com o qual conquistou 16 festivais em diversas cidades paulistas durante aproximadamente cinco anos. Na época atuava apenas como cantor. Após o fim da banda, decidiu aprofundar sua formação musical. Ingressou no Conservatório de São Paulo, estudou violão, técnica vocal e passou a investir também na composição. “Precisava trabalhar como peão de obra para continuar fazendo música. Era uma realidade naquela época e continua sendo para muitos músicos independentes”, destaca.
Ao longo da carreira Nivaldo também acumulou influências diversas, que vão de Roberto Carlos, Evaldo Braga, Os Incríveis e Beatles a Black Sabbath, Raul Seixas, The Who, Yes, James Brown, Toni Tornado, Martinho da Vila, Nelson Gonçalves, Novos Baianos e a black music da gravadora Motown Records.
Guarulhos como palco permanente
A relação com Guarulhos também ocupa lugar central na trajetória do artista. Seu primeiro show aconteceu em 1973, na Sociedade Amigos de Bairro do Parque das Nações. Em seguida vieram apresentações no Teatro Fioravante Iervolino e na Vila Rosália.
Já o anfiteatro da Biblioteca Monteiro Lobato guarda lembranças especiais.
“Esse espaço é muito nostálgico para mim. No início dos anos 1990 existia o movimento Intervalo Cultural, que depois deu origem ao Terças Acústicas, por onde passaram artistas como Jards Macalé e Belchior. Também tive a oportunidade de abrir um show do Belchior no Lago dos Patos”, disse.
Mesmo se apresentando em festivais por diversas regiões do Brasil, Nivaldo faz questão de destacar sua ligação com a cidade.
“Viajo levando a bandeira de Guarulhos. Minha história está profundamente ligada ao município”, afirmou.
Música como legado
Para Nivaldo, permanecer como artista independente durante cinco décadas exige mais do que talento, mas também muita convicção.
“Ser músico independente é extremamente difícil. Muitos não oferecem ajuda, mas as críticas aparecem com facilidade. Precisamos ser indestrutíveis, independentemente de quem esteja no governo. É a gente que faz nosso mundo. Não dá para esperar nada de ninguém”, disse.
Nivaldo, pai de quatro filhos e avô de seis netos, sobe ao palco mais uma vez em Guarulhos para celebrar uma história construída com música, resistência e compromisso com a cultura brasileira.
Serviço
Show: 50 Anos de Resistência e Vivência Musical
Artista: Nivaldo D’Ávilla e Bando do Vilarejo
Datas: 25 e 26 de julho
Horário: 19h
Local: Biblioteca Monteiro Lobato (rua João Gonçalves, 439, Centro)
Duração: aproximadamente 2 horas



