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Guarulhense preso no 8 de janeiro é pré-candidato a deputado federal

Marcos Vanucci jornalista
Foto: Divulgação
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Marcos Vanucci é jornalista e afirma que não houve tentativa de golpe de Estado

O jornalista guarulhense Marcos Vanucci fez carreira em grandes veículos de comunicação e ficou preso no processo do 8 de janeiro de 2023, considerado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) como tentativa de golpe de estado. Ele fez a cobertura jornalística dos atos em Brasília, disse que houve infiltrados no dia da confusão e que foi preso por exercer a sua profissão.

Pré-candidato a deputado federal pelo PL, Vanucci conversou com o GRU Diário sobre sua trajetória profissional, a prisão após os atos de 8 de Janeiro e os projetos para o mandato.

Confira a entrevista

O senhor é jornalista antes de ingressar na política. Como foi sua trajetória profissional?

Marcos Vanucci – Nasci em Guarulhos, moro na região do Bom Clima e tenho 47 anos. Comecei minha carreira na Rádio Líder, onde atuei com o Arnone e o Pedro Notaro no Radar de Notícias. Depois trabalhei nos principais veículos de comunicação de São Paulo. Essa experiência nas grandes redações me deu uma visão muito ampla da profissão.

Em que momento o senhor passou a atuar no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília?

Marcos Vanucci – Eu era um dos responsáveis pela comunicação do QG de Guarulhos. Como havia pouco espaço para esse assunto na imprensa, passei a receber muitas informações de Brasília e fazia esse trabalho de reportar o que acontecia.

O senhor esteve em Brasília durante os atos de 8 de janeiro. Como foi essa cobertura?

Marcos Vanucci – Fiz toda a cobertura daquele dia. Voltei ao QG no final da tarde e consegui conversar com muitas pessoas que participaram das manifestações. Quando retornei, encontrei um cenário completamente diferente. O local estava cercado e parecia um campo de guerra.

Qual é a sua avaliação sobre os acontecimentos daquele dia?

Marcos Vanucci – Posso garantir que o que assisti na cobertura do 8 de Janeiro foi a maior mentira que vivenciei em mais de 20 anos como jornalista. Essa é a minha constatação.

O que o senhor presenciou antes da chegada dos manifestantes aos prédios públicos?

Marcos Vanucci – Todas as pessoas que desceram ao Planalto foram revistadas em três etapas, inclusive eu. Pelo que acompanhei, apenas um estilingue foi apreendido. Também vi um grupo, a cerca de um quilômetro do QG, com aproximadamente 250 pessoas, que tinham comportamento e perfil completamente diferentes dos manifestantes que estavam acampados. Na minha visão, esse grupo incentivou a descida até a Praça dos Três Poderes.

O senhor chegou a entrar em algum prédio público durante as invasões?

Marcos Vanucci – Não. Eu não entrei em nenhuma repartição pública. Permaneci trabalhando como jornalista.

O senhor também faz críticas à atuação das forças de segurança naquele dia. Por quê?

Marcos Vanucci – Na minha avaliação, havia condições de impedir que aquela situação acontecesse. Eu presenciei homens da Força Nacional de braços cruzados, utilizando celulares e sem agir. Também vi pessoas sendo atingidas por gás de pimenta, bombas e balas de borracha.

Como ocorreu sua prisão?

Marcos Vanucci – Voltei ao QG por volta das 17h30. O local foi cercado, chegaram caminhões dos bombeiros, cavalaria e policiais. Disseram que todos entrariam nos ônibus apenas para serem identificados e liberados. Fomos obrigados a embarcar e acabamos levados para uma base da Polícia Militar em Brasília.

Quanto tempo o senhor permaneceu preso?

Marcos Vanucci – Fiquei 70 dias preso na Papuda e perdi 17 quilos nesse período.

Como o senhor descreve as condições da prisão?

Marcos Vanucci – Fomos obrigados a ficar nus, de quatro, diante de policiais e agentes penais. Foi uma situação extremamente difícil.

Como foi o processo até a sua liberdade?

Marcos Vanucci – Minha advogada trabalhou com base na liberdade de imprensa. Assinei um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) e permaneci um ano e meio usando tornozeleira eletrônica. Para isso, tive que assumir participação nos atos, embora sustente que estava em Brasília trabalhando como jornalista.

Por que decidiu disputar as eleições deste ano?

Marcos Vanucci – Sou o único preso político candidato pelo PL em São Paulo. Fiz o compromisso de denunciar o que aconteceu em 8 de janeiro.

Sua prisão também teve impacto na sua família?

Marcos Vanucci – Sim. Meus pais faleceram durante esse período. Eu só fui informado sobre as mortes dois meses depois, quando já estava usando tornozeleira eletrônica.

Quais são as principais bandeiras do seu mandato?

Marcos Vanucci – Quero levar a verdade sobre o 8 de Janeiro, lutar pela revisão desses processos, defender a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão. Mas minha atuação não se resume a esse tema.

Quais pautas relacionadas a Guarulhos pretende defender em Brasília?

Marcos Vanucci – Tenho obrigação de lutar pelas necessidades do município. Segurança pública, saúde e captação de recursos para Guarulhos fazem parte das minhas prioridades. Como guarulhense, conheço os problemas da cidade e quero ajudar a minimizar esses impactos na vida da população.

Como é sua relação com a política local?

Marcos Vanucci – Conheço o prefeito Lucas Sanches. Ele sabe que fui o único jornalista preso em decorrência dos acontecimentos de 8 de janeiro.

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