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Guarulhense é preso em MT acusado de liderar quadrilha do “falso mecânico”

DERF DE VÁRZEA GRANDE
Foto: Divulgação
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Criminoso se passava por cantor nas cidades que visitava e monitorava idosos para aplicar golpes

Um homem, natural de Guarulhos, acusado de integrar uma quadrilha que aplicava o golpe do “falso mecânico” em idosos em diversas cidades do país, segundo investigação policial, foi detido na cidade de Várzea Grande, no Mato Grosso, no último final de semana.

Segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Várzea Grande, o crimionoso, conhecido como Wilson Bola, é conhecido nacionalmente por liderar uma quadrilha especializada em aplicar o golpe do ‘falso mecânico’ contra pessoas idosas.

A investigação da DERF apurou que ele e o comparsa, ambos naturais de Guarulhos (SP), planejavam milimetricamente os crimes, investindo alto em logística, com passagens áreas, locação de veículos de alto padrão e hospedagens em hotéis diversificados, e percorriam vários estados do Brasil deixando um rastro de prejuízo para as pessoas idosas em diversas cidades.

O investigado se passava por cantor e ao chegar nas cidades dizia que queria fazer um show. Junto com comparsas, ele monitorava os idosos em supermercados e postos de saúde, esperava a vítima sair com o veículo e saíam no encalço.

Em seguida, jogavam algum objeto contra o veículo do idoso para provocar a parada ou redução da velocidade, emparelhavam com o veículo e, sem que o a vítima percebesse, jogavam um produto sobre o capô do veículo para provocar fumaça, “alertando” que o carro estaria com problemas mecânicos e forçando o idoso a descer do veículo.

No momento em que a vítima descia do veículo, os criminosos entravam em cena, dividindo as funções e aplicando o golpe do falso mecânico. A intenção era fazer com o que o idoso pagasse pelo falso conserto. Com o cartão da vítima já na máquina, os criminosos digitavam um valor alto. A vítima só ia perceber muito tempo depois, não havendo mais possibilidade de bloqueio do valor.

No dia 24 de agosto deste ano, o líder e o comparsa, que teve a prisão também decretada, colocaram o plano criminoso em ação, contra um idoso, morador de Várzea Grande. A Derf apurou que, inicialmente, os investigados pretendiam aplicar “somente” o golpe do “falso mecânico” contra o idoso. Porém, a ação criminosa, planejada no começo como estelionato, evoluiu para o crime de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e majorada pelo concurso de pessoas e emprego de arma de fogo.

A vítima, de 74 anos, trafegava com o seu veículo pela Avenida Eduardo Gomes, no centro da cidade, e ia para uma consulta médica. O idoso ouviu um forte barulho em seu carro, sendo que, em logo em seguida, o Chevrolet Tracker, conduzido pela dupla, emparelhou com o veículo da vítima e os criminosos “alertaram” o idoso de que o seu veículo estava enfumaçando. os criminosos seguiram com o carro e pararam na rua lateral.

O idoso parou o veículo e desceu para verificar o que havia ocorrido, abriu o capô, verificou que não havia nenhuma fumaça, mas constatou que haviam quebrado uma lanterna. Em seguida, o investigado se aproximou, dizendo que era gerente de uma concessionária e simulando entender de mecânica, ofereceu ajuda e começou a mexer no veículo, se dispondo a acionar um mecânico e um guincho. Ele pegou o celular e simulou que estava ligando para um mecânico.

A vítima ainda tentou se livrar da situação, argumentando que precisava ir ao posto de saúde, mas, o indiciado deu continuidade ao plano criminoso e se dispôs a acompanhá-lo e aguardar o ‘mecânico”, enquanto o idoso faria a consulta médica. Ao chegar na frente do posto de saúde, novamente W. abriu o capô e continuou simulando que estava mexendo nas peças do motor.

Segundo o idoso, ele teve um mal pressentimento e não demorou no posto de saúde. Ao retornar ao seu veículo, se deparou com o comparsa junto com Bola, que se apresentou como mecânico. A vítima desconfiou, o que deixou um dos criminosos furioso e o falso mecânico ordenou que o comparsa levasse o idoso para a rua lateral, menos movimentada.

A vítima afirmou que, temendo por sua vida, tentou argumentar que seu veículo não estava com nenhum problema mecânico e que deveria descer. Contudo, Wilson Carvalho ficou furioso e sacou uma arma de fogo dizendo: “você vai sim, vai para onde eu mandar”! Sob a mira da arma, o idoso dirigiu até a rua paralela, onde o falso mecânico os aguardava, que entregou uma máquina de cartão ao comparsa e ordenou que a vítima entregasse o cartão bancário.

Foram registrados R$ 4.980,00 na máquina e ordenado ao idoso que digitasse a senha. A vítima pôs a senha errada e foi ameaçada para que digitasse a senha correta, caso contrário o levaria para o matadouro. Assim, a vítima foi lesada no valor de quase cinco mil reais.

Além do valor extorquido, a dupla criminosa tentou efetuar compras com o cartão, porém, bloquearam o cartão. Os dois ficaram furiosos e passaram a xingar o idoso e ameaçaram matá-lo. O obrigaram a desbloquear um aplicativo bancário e fizeram duas transferências via Pix, uma de quase R$ 5 mil e outra no valor de R$ 2,7 mil reais.

No total, os criminosos extorquiram da vítima pouco mais de R$ 12 mil, valor proveniente de um empréstimo que o idoso fez para reformar a sua casa.

“Devido ao crime perpetrado pelos investigados, o idoso está pagando as parcelas sem usufruir do dinheiro”, destacou a delegada Elaine Fernandes.

Apesar da demora no registro do boletim de ocorrência, a DERF conseguiu fazer o bloqueio de R$ 4.980,00 e o valor, que foi passado em cartão, foi efetivado no dia 29 de novembro para a conta da vítima.

Para cometer o crime em Várzea Grande, a dupla investiu em logística: vieram para a cidade de avião, locaram um veículo Chevrolet Tracker, e se hospedaram em hotéis com diárias caras. Na data do roubo, os dois se hospedaram em um hotel em Cuiabá e, no dia seguinte, foram para um hotel de Várzea Grande, no intuito de dificultar a investigação.

Em setembro deste ano, o líder da quadrilha foi preso com outros dois comparsas, em Dourados (MS). Em um hotel em Campo Grande, onde a quadrilha se hospedou, foram apreendidos diversos materiais e evidências dos crimes praticados.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados. O espaço segue aberto para manifestação.

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