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Bacelarismo: Não adianta colocar um homem para escrever este texto

árbitra Daiane Muniz
Foto: Divulgação
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Você já imaginou ler esse comentário em algum lugar? Provavelmente, não. Então, não tem porque normalizar que mulheres sejam rebaixadas

Muito já se falou sobre o comentário machista do jogador Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a derrota do seu time para o São Paulo, em jogo válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista — revés, que, inclusive, eliminou a equipe de Bragança da competição.

Entre tantas opiniões, uma me chamou a atenção. A sempre cirúrgica jornalista Renata Mendonça levantou uma questão importante: “Por que quando uma mulher é atacada, ninguém interrompe aquele que a ofende ou que coloca em dúvida a sua capacidade?”.

E vou além: “Por que nunca ninguém questionou a capacidade de um homem fazer qualquer coisa?”. Você, leitor (a), já viu alguém no trânsito presenciar uma barbeiragem e gritar: “Só podia ser homem!”? Eu nunca vi. Você, provavelmente, também não.

Sabe por que? Porque o gênero masculino nunca foi associado ao fracasso ou à incompetência. E cabe a nós, homens, mudarmos isso. Se o machismo, na maioria das vezes, é praticado por nós, sabemos de quem é a responsabilidade para acabar com ele, não é mesmo?

Daiane Muniz, a árbitra atacada por Gustavo Marques, fez uma arbitragem exemplar no duelo entre Red Bull Bragantino e São Paulo. A ponto de a equipe da TNT Sports a elogiar, ali, ao vivo, durante a transmissão — algo cada vez mais raro, já que os juízes brasileiros, em sua maioria homens, deixam a desejar rodada após rodada.

E, sim, eles são criticados. Muitas vezes, além da conta. Mas nunca — vou reforçar, eu disse NUNCA — ninguém questionou a arbitragem de um homem pelo simples fato de ele ser um homem.

Posso ser ingênuo, porém eu admito que acredito no arrependimento, no aprendizado. Creio que, de fato, o atleta do Bragantino jamais repetirá tal comentário. E que esse episódio sirva de lição. Se não, serei obrigado a dizer: “Não adianta colocar homem para falar. Porque toda vez é isso aí!”

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