Funcionários alegam atrasos nos salários e péssimas condições de trabalho
Hoje inicio a minha coluna mais uma vez criticando a RedeTV!, que está muito longe de resolver seus problemas, além de ser considerada a pior emissora em audiência já há muito tempo.
Tanto é verdade que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e o Sindicato dos Radialistas denunciaram a situação que consideram degradante nos bastidores da emissora e que, segundo as entidades, teria contribuído para um episódio de agressão física que terminou com um funcionário ferido.
De acordo com os sindicatos, a situação na RedeTV! está cada vez pior. Um verdadeiro inferno em seus corredores. Cobrança constante por audiência e supostas ameaças da chefia deixariam os nervos à flor da pele. Um verdadeiro barril de pólvora, que precisa apenas de uma faísca para explodir.
E essa faísca teria ocorrido durante uma discussão envolvendo divergências políticas entre funcionários. As denúncias foram apresentadas em um comunicado obtido pelo site Notícias da TV. No texto, os sindicatos alegam que a emissora não faz manutenção nos bebedouros desde junho deste ano, que alguns banheiros sequer têm papel higiênico ou papel-toalha e que comer no refeitório seria como brincar de roleta-russa.
Segundo um funcionário que pediu para não ser identificado, “você nunca sabe quem será o próximo a contrair intoxicação alimentar”. De acordo com o relato, há pessoas que ficam doentes por semanas. Ratos e baratas também teriam sido vistos no refeitório, segundo registros em vídeos e imagens feitos pelos próprios funcionários e mencionados pelos sindicatos.
Outro problema recorrente na RedeTV! ganha destaque na denúncia: os atrasos nos pagamentos. Segundo os sindicatos, há profissionais sem carteira assinada que chegam a ficar mais de quatro meses sem receber. Ainda segundo informações publicadas pelo Notícias da TV, a emissora teria débitos previdenciários e relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em montante que ultrapassaria R$ 30 milhões.
Nas afiliadas da emissora pelo país, segundo as denúncias, a situação seria ainda pior. Uma redação teria ficado sem internet por falta de pagamento. Em outra, funcionários teriam pago a conta de energia elétrica para não ficarem no escuro. Também haveria locais sem computadores suficientes para todos os profissionais trabalharem.
Para esta coluna, é imoral e vergonhoso permitir que uma empresa de comunicação renove sua concessão sem que seja pressionada a quitar eventuais dívidas com trabalhadoras e trabalhadores e sem que seja cobrada a tratá-los com a dignidade mínima assegurada pela Constituição Federal de 1988.
Entendo que, antes da renovação de uma concessão, as autoridades deveriam verificar a existência de eventuais débitos da emissora e exigir a regularização das obrigações com o poder público e com seus funcionários.
Na minha avaliação, se a emissora fechasse, não faria falta. Sua programação não oferece nada de novo ou interessante aos telespectadores e, há muito tempo, registra índices muito baixos de audiência.
Nota dos sindicatos
Os sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas do Estado de São Paulo afirmam, em nota intitulada “RedeTV!, um barril de pólvora”, que as condições de trabalho provocam tensão e episódios de violência na emissora.
Segundo as entidades, houve uma briga entre dois funcionários que terminou com um deles ferido no nariz e ensanguentado no chão da redação. Os sindicatos afirmam ainda que o episódio não teria sido isolado e relatam que, na sexta-feira anterior, outra discussão só não chegou às vias de fato devido à intervenção de outros funcionários.
Frase final: “Tudo posso naquele que me fortalece.”



