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Tony Auad: Nilton Travesso deixa um legado de inovação e pioneirismo na televisão brasileira

Nilton Travesso, diretor de TV
Foto: Nilton Travesso
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Diretor fez história em emissoras como Record, Globo, Band, Manchete e SBT

Hoje inicio minha coluna comentando a morte de Nilton Travesso, um dos diretores mais importantes da televisão brasileira. Ele faleceu na sexta-feira (6), aos 92 anos. Foi um dos pioneiros da nossa televisão e conquistou um lugar de destaque entre os profissionais mais importantes da história do meio artístico.

Segundo o SBT, a morte ocorreu em decorrência de uma infecção generalizada. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O diretor fez história em emissoras como Record, Globo, Band, Manchete e SBT. Participou de produções marcantes, como o Fantástico, a versão de Éramos Seis (1994) e o TV Mulher. Também trabalhou na TV Gazeta, com Ronnie Von, e na Jovem Pan, onde teve seu último contrato televisivo.

A trajetória de Nilton Travesso se confunde com boa parte da história da televisão brasileira. Ele estudava cinema em 1952, quando foi atraído pela televisão, em uma época em que as emissoras ainda davam seus primeiros passos.

Travesso participou da inauguração da TV Record, em 1953, fato que sempre recordava com muito orgulho. Na época, a emissora pertencia à família Carvalho. Durante sua passagem pela Record, dirigiu nomes como Jô Soares (1938–2022) e Cidinha Campos.

Ele também integrou a lendária Equipe A, liderada por Antônio Augusto de Carvalho, o Tuta (1931–2024), da qual faziam parte profissionais como Manoel Carlos (1933–2026) e Raul Duarte.

Nesse período, Nilton Travesso ajudou a construir a história da nossa televisão, dirigindo o famoso Show do Dia 7. Nos anos 1960, também teve papel importante na consolidação de Hebe Camargo (1929–2026) como uma das maiores apresentadoras da televisão brasileira.

Na Globo, Travesso participou da implantação do Fantástico, na década de 1970, e da produção de um dos primeiros videoclipes exibidos pela revista eletrônica. Desenvolveu uma linguagem própria, que influenciou o formato televisivo e deixou marcas percebidas até hoje.

O diretor também esteve à frente de programas como TV Mulher e Balão Mágico (1983–1986).

Em 1987, transferiu-se para a Rede Manchete, onde participou da estruturação do núcleo de teledramaturgia. Três anos depois, a emissora surpreendeu o mercado televisivo com a novela Pantanal (1990), escrita por Benedito Ruy Barbosa (1931–2026), que alcançou grande repercussão e enfrentou a audiência da Globo.

Mais tarde, no SBT, Travesso contribuiu para a reformulação da programação infantil, incluindo o Bom Dia & Cia, que, naquela época, tinha Eliana como apresentadora. Atualmente, ela é contratada da Globo.

Também passou pela Band e esteve envolvido com produções da emissora. Posteriormente, foi para a TV Gazeta, onde trabalhou na estruturação da programação.

Após enfrentar um episódio de violência no Brasil, quando foi vítima de um assalto, decidiu morar em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde já viviam sua filha e seus netos.

Quando retornou ao Brasil, voltou a trabalhar na televisão, com uma passagem pela Jovem Pan.

Para esta coluna, Nilton Travesso não deixa apenas um legado na televisão brasileira. Sua trajetória demonstra uma capacidade extraordinária de dirigir, inovar, descobrir talentos e estabelecer novos parâmetros para a comunicação em nosso país. Com uma experiência singular, ajudou a construir a identidade da televisão nacional, participou de diferentes gerações de programas e transmitiu seus conhecimentos a inúmeros profissionais.

Poucos diretores tiveram a oportunidade de acompanhar tantas transformações da televisão brasileira e, ao mesmo tempo, contribuir diretamente para que elas acontecessem. Nilton Travesso pertence a essa categoria de profissionais que não apenas trabalharam na televisão, mas ajudaram a escrever sua história.

Frase final: Feliz o homem que deixa a sua história para ser contada.

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