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Sobre fake news e grandes tragédias: Como falar com as nossas crianças?

Criança e mulher
Foto: Freepik
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Notícias falsas sobre possíveis ataques em escolas têm colocado medo nas crianças; saiba como agir com seus filhos nestes casos

Estamos na era da informação em excesso e ninguém está imune a essa sobrecarga. A facilidade ao acesso das notícias muitas vezes nos deixa reféns de fake news, como, por exemplo, o que tem acontecido nas escolas com relação a ataques, colocando medo e fazendo com que as crianças tentem de alguma forma se “proteger”, desencadeando ainda mais comportamentos violentos.

No caso dos adultos é mais fácil saber o que é uma fake news, mas e para as crianças? Cabe a nós auxiliar e responder da melhor forma as perguntas que elas fazem a respeito de um determinado tema, pois a curiosidade faz parte do desenvolvimento saudável e a forma como abordamos os assuntos ajuda na geração de confiança e compreensão dos temas.

Algumas dicas para ajudar a combater fake news:

  • Seja paciente, se não tiver resposta para alguma pergunta é importante dizer que não sabe e propor buscar as respostas em conjunto;
  • Evite respostas prontas, lembre-se que discursos fechados não favorecem o senso crítico;
  • Tente criar momentos em que juntos possam ler noticias (de acordo com a idade e maturação das crianças), a fim de conversarem e debaterem sobre esses temas, buscando várias fontes de informação confiável;
  • Se a criança questionar “mas por que?”, devolva a pergunta, para que ela possa propor alguma reflexão;
  • Mesmo que a criança traga temas considerados “tabus”, esteja disponível para conversarem e se aproximarem;
  • Acolher as perguntas é mais importante do que chegar as respostas corretas.

Quando se trata de grandes tragédias, muitas perguntas por parte dos pais surgem, como por exemplo, como falar com as crianças sobre ataques em escolas, de modo a prepará-las para esse tipo de situação.

Antes de tudo, é importante compreender que, quando ocorrem tragédias desse tipo, são diferentes as reações de pessoa para pessoa. Pode acontecer de muitas ficarem traumatizadas, não necessariamente apenas as que foram afetadas diretamente ou testemunharam o ocorrido, mas também as que tinham alguma relação com os atingidos. Como resposta emocional, passam a sentir emoções negativas, reflexo de uma experiência devastadora e inesperada, que, em seu imaginário, ainda pode oferecer risco de vida ou de integridade física para a própria pessoa ou pessoa próxima.

Entendendo esse panorama, compreende-se que esse estado de alerta que permanece no trauma, pode fazer com que pais queiram tomar providências imediatas e, como uma necessidade emergente, ficar repisando este assunto, na tentativa de alertar e orientar seus filhos, pelo medo de ocorrer novamente. Mas quando se trata de crianças envolvidas, como no caso de ataques violentos, elas necessitam, no primeiro momento, do apoio e acolhimento do adulto, antes de mais nada.

É importante que o adulto procure lidar com suas próprias questões e inseguranças, para não transmitir aos filhos e conseguir passar segurança emocional e física. É necessário também que a criança encontre uma referência no adulto, de cuidado para que possa expressar suas emoções, fazer perguntas e que este, por sua vez, consiga acolher, sem alarmar. A orientação deve vir espontaneamente, conforme as crianças vão dando abertura para essa conversa e manifestando curiosidade, e o adulto observe o que estão preparadas para absorver.

É necessário que o adulto esteja atento a todas as manifestações comportamentais e emocionais das crianças e tenha sensibilidade para orientá-las, de acordo com a fase de desenvolvimento em que se encontra. Por exemplo: para os pequenos, apontar quem são os adultos do local que pode buscar caso fique assustado com algo ou veja amiguinhos machucados. Essa comunicação simples pode ser feita com crianças de qualquer idade, estando de acordo com seu nível de maturação e compreensão.

Existem também ferramentas que podem ajudar, como os livrinhos que tratam da busca de solução de um problema ou ameaça, por meio de personagens bons e maus, assim como brincadeiras lúdicas, a fim de adentrar no universo infantil sem ser invasivo, por meio da linguagem da criança.

Deve-se evitar expor as crianças a conteúdos que não são adequados para sua faixa etária (quando esta demanda não surgir delas), a fim de que não desenvolva medo e insegurança, como por exemplo, ficar repisando em assuntos, como: morte, ataque, criminosos, armas, etc.

Vale ressaltar que, em casos de trauma, é importante um atendimento especializado, que possa acompanhar a família, feito por profissionais.

Autoras

  • Juliana Ayres, diretora de relações institucionais do Núcleo Espiral. Empresária com experiência nas áreas financeira, de qualidade e comercial, atua na ONG para viabilizar projetos e captação de recursos.
  • Ingryd Abrão, diretora operacional da ONG Núcleo Espiral, psicóloga clínica especialista em emergências e crises.

Sobre o Núcleo Espiral

O Núcleo Espiral, há mais de 14 anos, dedica-se à educação, pesquisa e aos estudos contra a prática de violência ou tratamento degradante à pessoa humana, em especial, à criança e ao adolescente.

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