Sistema já monitora 315 pontos na capital e será ampliado; cidade deve ser beneficiada com expansão do modelo preventivo
A Sabesp está ampliando o uso de sensores inteligentes e inteligência artificial para monitorar redes de esgoto em tempo real, tecnologia que, segundo a companhia, também deve avançar para mais áreas de Guarulhos, onde o mau uso da rede e o descarte irregular de resíduos seguem entre os principais desafios operacionais.
Hoje, 315 sensores estão instalados em diferentes bairros da capital paulista, permitindo detectar rapidamente riscos de entupimento, extravasamentos e redução de capacidade das tubulações. Outros 974 equipamentos serão instalados em dezembro, fortalecendo o sistema preventivo que deve ser replicado progressivamente em municípios atendidos pela Sabesp, incluindo Guarulhos.
A ferramenta cruza dados de nível, vazão, chuvas e qualidade da água com apoio de inteligência artificial. Quando o sistema identifica mudanças que indicam possibilidade de obstrução, as equipes são acionadas automaticamente para atendimento antes que o problema afete moradores ou cause impactos ambientais.
O monitoramento já ajudou a prevenir ocorrências em mais de 36 mil ligações de esgoto, beneficiando cerca de 200 mil pessoas. Em regiões que já utilizam o sistema, como Santana e Tatuapé, houve redução significativa de vazamentos e atendimentos emergenciais.
Tecnologia tem potencial para reduzir ocorrências comuns em Guarulhos
Guarulhos registra frequentemente casos de entupimento provocados por descarte irregular de óleo de cozinha, lixo sólido e resíduos de obra, situações que os sensores ajudam a antecipar. Em bairros com forte atividade gastronômica, como no centro e em áreas próximas a corredores comerciais, o problema é ainda mais recorrente.
A Sabesp explica que o óleo despejado na pia endurece dentro das tubulações e cria uma “placa de gordura”, obstruindo a passagem do esgoto. Com o monitoramento automatizado, seria possível identificar o acúmulo antes do extravasamento.
Proteção dos córregos e prevenção ambiental
O sistema também atua na proteção de cursos d’água, área sensível em Guarulhos por conta dos córregos que cortam a cidade. A companhia utiliza indicadores como DBO e DQO para monitorar a qualidade da água e identificar rapidamente sinais de poluição orgânica.
Segundo a Sabesp, a tecnologia aumenta a eficiência do transporte de esgoto até as estações de tratamento, reduzindo riscos de contaminação de córregos urbanos.
Mau uso ainda é o maior desafio
A companhia reforça que, mesmo com tecnologia avançada, o bom funcionamento da rede depende da colaboração da população. Entre as práticas que mais causam obstruções estão:
- descarte de lixo (panos, fraldas, plástico, madeira, entulho);
- despejo de óleo de cozinha em pias e ralos;
- ligações clandestinas de água de chuva;
- materiais de obra jogados na tubulação.
Essas ações podem provocar retorno de esgoto para ruas e residências, além de contaminar rios e córregos.



