Homicídios ocorreram entre fevereiro e abril deste ano
A Polícia Civil prendeu seis pessoas durante a operação “Abadon”, deflagrada na manhã de quinta-feira (16) para cumprir 24 mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão contra autores de homicídios na capital paulista. Algumas prisões foram efetuadas em Guarulhos e outras em São Paulo, na região do Parque Novo Mundo, limite entre os dois municípios.
Os crimes ocorreram nos meses de fevereiro e abril, resultando em cinco vítimas e quatro inquéritos policiais instaurados pela Divisão de Homicídios, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
“No decorrer das investigações verificou-se a instalação, na zona norte [de São Paulo], de um denominado ‘tribunal do crime'”, explicou o delegado divisionário, Marcelo Jacobucci, para esclarecer o ponto de partida para a solicitação e expedição das ordens judiciais.
Os mandados de prisões eram contra 18 alvos ligados a uma organização criminosa no Parque Novo Mundo, responsável por julgamentos em praça pública. A decisão de vida ou morte dos suspeitos, fossem eles criminosos ou não, se dava em vielas da comunidade.
De acordo com o delegado, o principal alvo desses crimes, envolvido nas mortes, foi detido durante a operação e tinha o papel de executor. “Não identificamos uma única liderança [no grupo], mas verificamos que a facção é compartimentada. Uma das presas, por exemplo, tinha a função de arrebatar as vítimas simulando encontros. Outro fazia a contenção e também tinham os julgadores”, destacou o divisionário.
Os trabalhos em campo foram coordenados pelo DHPP, com o apoio de agentes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). Ao todo, 90 policiais civis e 53 viaturas foram empenhadas na ação que também resultou na apreensão de celulares, computadores e algumas fotos. “Isso vai ajudar a verificar outras mortes e também fazer com que a gente chegue aos mandantes”, ressaltou Fábio Pinheiro Lopes, delegado de polícia diretor do DHPP.
Mesmo com a operação, as investigações por parte da Polícia Civil prosseguem, inclusive para identificar as pseudovítimas – aquelas que procuraram a organização criminosa em vez de acionar a Justiça.



