Influenciadora é suspeita de lavar dinheiro para Marcola, líder do PCC
A Polícia Civil de São Paulo identificou movimentações milionárias sem lastro econômico compatível durante as investigações da Operação Vérnix, que mira esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado. A influenciadora digital Deolane Bezerra foi uma das pessoas detidas nesta quinta-feira (21), acusada de ligação com Marcola, líder do PCC.
Segundo os investigadores, foram constatados indícios de utilização de empresas de fachada, contas bancárias usadas para circulação de recursos e aquisição de bens de alto padrão com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos valores. As investigações tiveram início após a apreensão de um celular durante uma fase anterior da Operação Lado a Lado. De acordo com a Polícia Civil, o aparelho continha conversas com pessoas ligadas à cúpula da organização criminosa e indícios de repasses financeiros.
A operação também possui desdobramentos internacionais. Três investigados, que estariam na Itália, Espanha e Bolívia, tiveram inclusão solicitada na Lista Vermelha da Interpol, com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público.
As apurações começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que indicavam a atuação de lideranças criminosas e possíveis ameaças contra agentes públicos. No decorrer das investigações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos policiais que permitiram identificar uma estrutura voltada à ocultação e movimentação de recursos ilícitos por meio de empresas e pessoas interpostas.
As diligências também apontaram conexões entre investigados e integrantes da organização criminosa, além do uso de estruturas empresariais e patrimoniais para dificultar o rastreamento financeiro. A operação contou ainda com apoio do Departamento de Operações Policiais Estratégicas no cumprimento das diligências.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a Operação Vérnix representa mais um avanço no combate à lavagem de dinheiro e ao enfraquecimento das estruturas financeiras utilizadas por facções criminosas.



