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O que a Rua 20 metros tem a falar sobre Guarulhos

Foto: Marina Lorenzetto
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Pandemia causou o fechamento de muitos bares e restaurantes na Vila Galvão

Somente um guarulhense legítimo sabe onde fica a rua 20 metros. Conhecida por seus 20 metros de largura, a famosa rua Francisco Conde fica localizada na Vila Galvão, aos pés do Lago dos Patos.

Como morador a mais de 30 anos no bairro venho acompanhando a sua transformação recente e especialmente o que ela nos conta sobre Guarulhos.

Se voltássemos há uns três anos tudo o que se ouvia falar desse lugar eram as enchentes. Sim, bastava uma simples brisa para que acumulasse água atormentando o trânsito, o comércio e os moradores. Comprar um imóvel nessa rua era um mico, um convite a ter sua casa invadida por lama suja. Um problema terrível que ficou 50 anos sem solução.

Mas nem sempre foi assim. Antes de virar um local de enchentes por ali passava um rio, o córrego Jacinto. Antigos moradores e relatos em livros mostram que era uma área muito arborizada e coberto de árvores frutíferas. Com o advento do Lago dos Patos e a sua urbanização foram surgindo ao longo da 20 metros várias casas com lotes grandes, mansões num local agradável. Contudo a cidade em volta foi crescendo, mais asfalto foi criado, e tudo o que era permeável passou a transferir as águas da chuva para aquela rua. O lago assim como a 20 metros está na área mais baixa do bairro.

Eu cheguei à 20 metros em 2008 ao inaugurar um bar no lugar de uma antiga lanchonete e padaria. Era o H Linguiçara & Cervejaria. Durante quatro anos estive ali buscando ter um bom negócio e  passando a conviver mais intensamente o dia a dia da rua. Sempre acreditei na região do  Lago como um baita potencial turístico, mesmo enfrentando os dias de Veneza tupiniquim. Várias pessoas pediam a construção de um piscinão, diversas autoridades tentavam viabilizar projetos.  Mas a solução só chegou em 2018, após muita pressão popular, chamadas diretas na mídia e um grande abaixo-assinado que na época ajudei a organizar com vários empresários e moradores.

Enfim chegou a obra milionária do piscinão. As vezes com uma chuva muita intensa não dá conta, mas solucionou de vez o problema recorrente. Tempos depois chegaram a ciclo-faixa ao longo da avenida, e no local do piscinão montou-se uma pista infantil junto com uma pequena academia. Estas obras e pequenas transformações estimularam a chegada de novos empreendimentos e a renovação da rua. O grande bar Praia do Lago deu uma sofisticada na oferta de restaurantes. Um grande salão de cabeleireiro, uma pequena vila de foodtrucks também ajudaram a compor essa nova 20 metros. No entorno do Lago comércios floresceram, e grandes e novos condomínios inundaram a região de novos moradores.

Hoje eu não sei precisar quanto há de novos comércios. Vejo dois novos prédios na rua larga, um bar em formato de trem e uma nova casa toda ambientada que parece ser uma nova hamburgueria, não faço ideia.

A pandemia também chegou a 20 metros, muitos locais fecharam, várias placas de aluga-se e vende-se. Contudo a antiga linguiçaria ainda sobrevive; imóveis foram vendidos, e na somatória dos tempos o lugar mais floresceu. Nesta pandemia foi crescente o número de pessoas andando na ciclo-faixa e crianças em torno do piscinão para desfrutar de uma atividade ao ar livre. Na carência de espaços públicos e lugares fechados a 20 metros tem atraído muito gente para o lazer.

Do que está hoje ao futuro podemos ter vários debates e visões, mas é inerente que as mudanças chegaram e estão desenvolvendo para melhor, um lugar outrora abandonado. O que isso tem a dizer sobre a Guarulhos e sua evolução? Vale a pena aprimorar e investir nos espaços públicos. Com a infraestrutura adequada, boa zeladoria e a chegada de pessoas o lugar se transforma; é o que chamamos de revitalização: levar vidas a um local. O efeito disso: novos empreendimentos, novos comércios, mais riqueza sendo gerada num local, um ciclo virtuoso.

O que seria hoje da Paulo Faccini sem o belo Bosque Maia? O quanto trouxe e ainda traz desenvolvimento a cidade.

Hoje o debate público está fortemente voltado a pandemia, mas precisamos incansavelmente pensar na cidade que desejamos. Já imaginaram como seria o Parque da Saúde totalmente revitalizado. Não conhecem? Imagine um novo Boque Maia que cobre a região do Gopoúva, Jardim Nazaré, Tranquilidade, Vila Íris, Vila São Rafael, Vila Augusta. Mais de 08 bairros seriam transformados e valorizados. Imagem também a Praça IV Centenário lá no Centro da cidade quando todos os seus projetos forem viabilizados e saírem do papel.

Muita coisa precisa ser feita na cidade, há grandes problemas a serem enfrentados, mas o que quero mostrar ao olhar as mudanças de agora desta famosa rua é o tamanho do efeito, sem dúvidas maiores que seus investimentos. É a conta da boa urbanização.

*Danilo Ramalho é professor de Turismo na UnG e Diretor Executivo do GRU Convention

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