Dono do veículo afirmou que custo para regularizar documento por conta da adaptação chega a R$ 30 mil.
Motoboys e amigos do cadeirante guarulhense Julio Alberto Martins da Costa, 37 anos, fazem uma vaquinha para recuperar a moto adaptada dele que foi apreendida pela Polícia Militar (PM) durante uma abordagem na Estrada do Elenco, na quinta-feira, 16.
De acordo com Junior, a polícia não estava errada ao fazer apreensão, já que não consta a adaptação, que é obrigatória.
Ele utiliza o veículo para fazer entrega pelo aplicativo iFood, do qual tira uma renda de R$ 500. Ele ganha mais na Casa da Embreagem, onde consegue fazer entregar e tirar de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil, se trabalhar de segunda a domingo. Sem a moto, Junior fica sem trabalho.
Durante a pandemia, o valor da rende dele caiu mais ainda por conta da crise da covid-19, que caiu para uma média de R$ 200 a R$ 250 na semana.
“Eu paguei R$ 3 mil na moto e tive um gasto para adaptar, mas para regularizar eu tenho de gastar mais R$ 30 mil, é inviável”, disse.
Ele reclama que costumava utilizar o transporte público, mas tinha problemas, pois os motoristas diziam que os elevadores para colocá-lo no veículo estavam quebrados.
Ele contou que uma vez chegou a ser agredido por um motorista e só conseguiu fazer o boletim de ocorrência sete anos depois. Ele contou que a empresa responsável nunca entrou em contato com ele e o motorista continua a trabalhar.
“A moto é a minha perna, sem ela eu fico numa situação muito desconfortável”, explicou Junior.
Junior perdeu o movimento das pernas há 12 anos, quando reagiu a um assalto para não deixar os bandidos levarem um aparelho de som de um carro.
A moto adaptada, uma burgman, permite que ele encaixe a cadeira de rodas e consiga dirigir pela cidade para fazer suas entregas. O automóvel foi remodelado por um amigo, conhecido como Seu Luiz.
Junior tem seis filhos, dois meninos e quatro meninas. A moto dele foi apreendida enquanto ele levava fralda e leite para a caçula, de oito meses.
A vaquinha precisa juntar pelo menos R$ 2,5 mil reais para conseguir reaver a moto. Amigos montaram um grupo em que tentam juntar o dinheiro.
Quem tiver interesse em ajudar Junior pode entrar em contato com a reportagem do GRU Diário.
Em nota, a Prefeitura de Guarulhos informou que toda frota é adaptada (inclusive os micros). A reportagem apurou que nenhum veículo pode deixar a garagem sem o elevador em funcionamento.
Junior informou ainda que existe um link disponibilizado na internet pelo site Vakinha que não foi feito por ou com autorização dele e pede que as pessoas não efetuem doações por este meio.
Ele ainda agradeceu os grupos que o apoiam neste momento: Só Motoca Bom, Família Motoca, Loucos de Guarulhos, Família Motoca SP 1, Motoboys Entregadores, Família Tucha Macha. RappiMotocas e o sindicato de motos de São Paulo, “junto com o Araújo e os despachantes, enfim, a todas as pessoas” que o ajudaram.



