Ato percorreu locais históricos da presença negra e reforçou luta antirracista no município
A Marcha da Consciência Negra tomou as ruas da região central de Guarulhos na manhã do feriado desta quinta-feira (20), reunindo centenas de pessoas em um percurso simbólico por espaços ligados à história e à cultura africana na cidade. A concentração ocorreu no Marco da Consciência Negra e a caminhada terminou no calçadão da rua Dom Pedro II, onde acontece a Feira Empreenda Afro.
Durante o trajeto, os participantes visitaram pontos marcantes da presença negra em Guarulhos, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Homens Pretos, o busto da Mãe Preta, na praça Getúlio Vargas, a rua Nossa Senhora Mãe dos Homens e a rua Doutor Luiz Gama, patrono da abolição da escravidão no Brasil.
Para o subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos, Jorge Caniba Batista dos Santos, o crescimento da mobilização demonstra o fortalecimento da pauta.
“É gratificante ver como essas marchas, não apenas a de Guarulhos, mas as que acontecem em todo o país, têm atraído cada vez mais participantes e conquistado mais espaço na mídia. E vamos seguir crescendo nos próximos anos”, afirmou.
Organizada pelo Compir (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial) com apoio da Subsecretaria da Igualdade Racial, a marcha reforçou o papel da sociedade como agente ativo no combate ao racismo. A presidente do Compir, a assistente social Greice Oliveira, destacou que a luta antirracista não deve recair apenas sobre a população negra.
“É fundamental o engajamento de toda a sociedade, já que é a população negra quem mais sente os impactos da desigualdade”, disse.
A Subsecretaria da Igualdade Racial mantém o serviço SOS Racismo, que oferece acolhimento e orientação às vítimas de discriminação racial. O atendimento é anônimo e pode ser solicitado pelo telefone (11) 2402-1000 ou pelo e-mail [email protected].
Pesquisa
Dados divulgados neste ano pelo Ministério da Igualdade Racial e pelo Ibge mostram que 85% da população negra brasileira já sofreu discriminação racial. O levantamento também aponta que trabalhadores negros recebem, em média, salários 40% menores que os de pessoas brancas, reforçando a urgência de políticas de enfrentamento ao racismo estrutural.



