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Lenine é o principal destaque da programação do Sesc Guarulhos em março

Foto: Jairo Goldflus
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Músico celebra sua volta aos palcos de São Paulo

O cantor Lenine apresenta o show “Voz, Violão e Produção” no Sesc Guarulhos, nos dias 4, 5 e 6 de março. As apresentações, que marcam o retorno do músico aos palcos de São Paulo, trazem sucessos da carreira do cantor, como Tubi Tupy, Jack Soul Brasileiro e Paciência, apresentadas em arranjo especial, além de algumas surpresas criadas colaborativamente com o produtor musical Bruno Giorgi, que sobe ao palco com Lenine.

Os ingressos para as apresentações estarão disponíveis para venda no site www.sescsp.org.br/guarulhos, a partir das 14 horas do dia 22 de fevereiro, e para venda presencial a partir das 17 horas do dia 23, nas bilheterias da rede Sesc.

Lenine nasceu no Recife em 1959. Da infância, vieram as primeiras referências musicais: Angela Maria, Bach, Chopin, Jackson do Pandeiro, Ary Lobo e Dorival Caymmi. Já a paixão

pelo rock vem turbinada por suas descobertas de Led Zeppelin, The Police e Frank Zappa, entre outros. Até que conhece o álbum Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges, 1972) e, com ele, traz o Brasil de volta a seu universo musical. Depois de tentar o aprendizado formal no Conservatório de Pernambuco (1974), é por suas próprias mãos que vai se encontrar na música e tornar seu violão um meio de expressão – instrumento que, inicialmente, tem o papel de ajudá-lo a vencer a “dificuldade de lidar com pessoas” e, no futuro, será uma das marcas de sua singularidade.

Com a vocação artística em ebulição (e as participações nos conjuntos Flor de Cactus e Nós & Voz), aproveita um jantar de família para comunicar sua decisão de abandonar o curso de Engenharia Química na Universidade Federal de Pernambuco, a um ano da formatura. A resposta do pai surpreende e pesa sobre seus ombros na mesma medida: “E por que demorou tanto?”

O festival MPB Shell, em 1981, é só o primeiro passo da vida de Lenine no Rio de Janeiro, onde se estabelece na Casa 9: uma casa de vila em Botafogo em que vive e é frequentada por companheiros de geração que corriam atrás do mesmo sonho, entre eles o pernambucano Lula Queiroga e os paraibanos Bráulio Tavares, Ivan Santos, Pedro Osmar, Fuba, Tadeu Mathias e Júlio Lurdemir.

Deste bunker criativo sairão composições diversas (frutos de todas as combinações possíveis entre os amigos/conterrâneos) e a ideia de uma temporada no Teatro Ipanema, para mostrar a produção da turma em shows à meia-noite. O produtor Roberto Menescal aprova o que vê e o resultado é o primeiro disco de Lenine: Baque solto (1983), feito em parceria com Lula Queiroga.

Nessa época, começa a aparecer na cena alternativa carioca e compõe sambas para o bloco de rua Suvaco de Cristo. Período em que a vida lhe sorri amarelo e que, enquanto o reconhecimento não vem, a segurança é a família, neste caso a produtora de TV Anna Barroso: sua mulher e mãe/madrasta de seus três filhos e futuros parceiros: João Cavalcanti, Bruno Giorgi e Bernardo Pimentel

A virada vem com o álbum Olho de peixe (1993), que registra o encontro de Lenine com o percussionista Marcos Suzano e se torna o cartão de visitas nas primeiras turnês pelo exterior. O som pop e híbrido de sua música vai se consolidar nos três álbuns seguintes: primeiro, O dia em que faremos contato (1997), Na pressão (1999) e Falange canibal (2002), que rende a ele o primeiro prêmio de expressão: o Grammy Latino (Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro), que voltará a ganhar – na mesma categoria – com os dois álbuns seguintes: os CDs/DVDs ao vivo Lenine in Cité (2004) e Acústico MTV (2006). As canções “Ninguém faz ideia” (2005) e “Martelo Bigorna” (2009) levaram os prêmios de “Melhor Música Brasileira”, num total de seis prêmios Grammy Latino em sua carreira, até então. Lenine ganhou ainda doze Prêmios da Música Brasileira e 2 APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

A experiência de compor balés para a companhia de dança Grupo Corpo – “Breu” (2007) e “Triz” (2013) – faz com que Lenine subverta a concepção de seus discos: em vez de reunir composições prontas num álbum, como nos três discos anteriores, ele passa a definir primeiro o conceito para, em seguida, compor cada uma das faixas, como capítulos de um romance. O disco de 2008, por exemplo, parte da paixão de Lenine pelas orquídeas, sendo batizado com o nome de uma espécie do nordeste brasileiro: Labiata. Já no álbum Chão (2011), o primeiro produzido por seu filho Bruno Giorgi (com Jr. Tostoi e o próprio Lenine) agrega à música sons do cotidiano: seja de uma chaleira, de um canarinho, de uma cigarra ou de uma máquina de lavar roupa. A nova trilogia se fecha com Carbono (2015), no qual se reconecta a suas raízes pernambucanas.

Os passos seguintes se dão na Holanda, onde é feito o CD/DVD The bridge – Lenine & Martin Fondse Orchestra – Live at Bimhuis (2016), e no Rio de Janeiro, onde seu 13º disco de carreira, Em trânsito (2018) acaba conquistando o sexto Grammy Latino de sua carreira, o primeiro na categoria de música alternativa. Como síntese do fazer artístico do cantor e compositor, Lenine se considera um “cantautor” em direção às próximas trovas, refletindo olhares sobre seu tempo. A caminhada tem destino imprevisível, mas conta com pelo menos uma certeza: a de estar fazendo música livre, sem adjetivos, no exercício constante de se reinventar a cada novo trabalho.

Serviço

  • Dias 4, 5 e 6 de março, sexta e sábado às 20h e domingo às 18h
  • 12 anos
  • Teatro
  • Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados, pessoas com deficiência e credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

Sesc Guarulhos

  • Endereço: Rua Guilherme Lino dos Santos, nº 1.200, Jardim Flor do Campo, Guarulhos – SP

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