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Encontro dos Povos Indígenas reúne mais de 1,6 mil pessoas em Guarulhos

Encontro dos povos indígenas no Cabuçu
Foto: Divulgação/PMG
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Evento no Cabuçu promove oficinas culturais, trilhas, exibição de filme e comidas típicas

Uma série de atividades culturais marcou a 18ª edição do Encontro dos Povos Indígenas, realizada entre os dias 15 e 17 de agosto na Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra, no Cabuçu. A iniciativa anual é organizada pelos povos indígenas que vivem na cidade, com apoio da Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos.

A programação incluiu oficinas culturais, trilha ecológica até a nascente do rio Cabuçu, sessões de pintura corporal, rodas de canto e dança, venda de artesanatos, exibição do filme Nhandeci – Mãe Terra e a oferta de comidas típicas indígenas.

Mais do que promover experiências culturais, o encontro reforçou a presença dos povos originários em Guarulhos, onde vivem mais de 1.600 indígenas, segundo o Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Antes de tudo, o encontro representou um ato político, já que a resistência dos povos indígenas é contínua e histórica”, disse Gilberto Awá na abertura oficial do Agosto Indígena, realizada na noite de sexta-feira (15) na UNG (Universidade de Guarulhos).

Guarulhos, cujo nome tem origem indígena, possui a segunda maior população de povos originários do Estado, atrás apenas da capital paulista, que concentra cerca de 12 mil indígenas, entre aldeias e contexto urbano.

“O compromisso da nossa pasta é lutar pela causa nos próximos anos. Os povos originários e os africanos construíram a história deste país e não podemos mais aceitar, em pleno século 21, que eles sejam tratados de forma preconceituosa”, afirmou Jorge Caniba Batista dos Santos, subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos.

O processo de articulação dos povos indígenas da cidade começou em 2008, como reivindicação por direitos básicos, incluindo atendimento diferenciado em saúde e um espaço para preservar práticas culturais, espirituais e tradições. Em outubro de 2017, eles retomaram oficialmente a área no Cabuçu, antes degradada, e a nomearam Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra.

Entre as ações recentes da Prefeitura está a realização da 1ª Feira de Culturas Indígenas, no calçadão da rua Dom Pedro II, no Centro, entre os dias 13 e 15 de agosto, com artesanato, apresentações culturais e culinária típica.

“Não é fácil ser indígena no Brasil. Vivemos em um mundo capitalista, no qual é necessário trabalhar e pagar as contas. Iniciativas como essa feira são fundamentais. Nós precisamos estar no calendário de eventos da cidade da mesma forma que o Carnaval”, disse Vanuza Kaimbé, primeira indígena vacinada contra a covid-19 no Brasil.

Alex Kaimbé destacou que sua etnia está presente em Guarulhos desde a década de 1940.

“Nós sabemos fazer políticas públicas e temos conhecimento suficiente para participar de qualquer ramo da economia. Cientistas vêm às aldeias aprender sobre preservação ambiental e saúde”, afirmou.

Hoje, os indígenas de Guarulhos são atendidos principalmente nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) Cabuçu e Soberana. A Prefeitura conduz os trâmites para receber R$ 800 mil, por meio de emenda parlamentar, destinados à construção de uma estrutura de saúde específica para a população indígena, possivelmente dentro da própria aldeia multiétnica.

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