Análise do Dhpp aponta que empresário morto em 2024 era autodidata em finanças, controlador e movido por ganância e desejo de destaque
Um relatório do Dhpp (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) de São Paulo detalha o perfil psicológico de Antonio Vinícius Gritzbach, empresário e investidor assassinado em 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O documento, de caráter sigiloso, foi elaborado pelo Laboratório de Perfilamento Criminal e revela aspectos da personalidade e da atuação do homem apontado como operador financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
De acordo com a análise, Vinícius era autodidata em investimentos e demonstrava grande habilidade no mercado financeiro, atuando em operações imobiliárias e de criptomoedas. Essa expertise teria sido usada para movimentar e lavar grandes somas de dinheiro da facção criminosa. O Dhpp descreve o empresário como “controlador, manipulador e estrategista”, alguém que desprezava leis e autoridades por acreditar estar acima de qualquer punição.
O relatório aponta ainda que Vinícius era movido por “dinheiro, ganância e desejo de destaque”, características que o levaram a se aproximar de figuras de alta periculosidade. Ele também teria buscado controlar narrativas públicas, tentando se aproximar da imprensa em momentos críticos, como após o atentado a tiros em seu apartamento no Natal de 2023. À época, chegou a receber uma equipe de TV e demonstrar emoção, mas, segundo a polícia, tudo foi cuidadosamente planejado e registrado por câmeras internas.
As investigações indicam que Vinícius intermediava transações milionárias com o traficante Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, líder do PCC. Quando investimentos resultaram em prejuízo, ele teria ordenado a morte do comparsa. No momento de sua execução em Guarulhos, Vinícius era investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e homicídio, e detinha valores pertencentes a pelo menos nove traficantes e empresários ligados à facção. Após sua morte, parte significativa desse dinheiro desapareceu.



