Catedral e religiões afro-brasileiras foram criticadas nas redes sociais
A lavagem da frente da Catedral Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, no Centro, por membros de religiões afro-brasileira, no último sábado (21), foi alvo de fortes críticas nas redes sociais. O bispo de Guarulhos, dom Edmilson Amador Caetano, soltou nota sobre o tema e disse que é preciso respeitar a liberdade religiosa.
A lavagem aconteceu pelo terceiro ano no Dia Nacional das Tradições das Matrizes Africanas e o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Os participantes se reuniram na Praça Getúlio Vargas, no Centro, e caminharam até a matriz. Do lado de fora da igreja, os adeptos fizeram a lavagem com flores, águas de cheiro e orações próprias. O rito é comum em várias cidades do Brasil, em especial, em Salvador (BA).
Diante do furor dos críticos, em especial, católicos que não defendem o diálogo interreligioso, o bispo explicou que o ato foi combinado previamente para não atrapalhar nenhuma celebração na categral e aconteceu do lado de fora, que é um espaço público.
Dom Edmilson lembrou que a Igreja Católica, atualmente, é regida pelas orientações do Concílio Vaticano II, que defende o direito de liberdade religiosa.
“Neste mundo marcado por guerras, até mesmo de origem religiosa, e num País, onde oficialmente no passado oprimiu-se manifestações religiosas não católicas e, hoje, em virtude da chamada laicidade do Estado tenta-se sufocar a maneira de cada religião exprimir publicamente a sua crença, não cabe aos católicos quererem propagar ideias de repressão às religiões não cristãs. Vivamos em nossas comunidades a nossa fé cristã e católica e sempre que necessário, manifestemos de modo celebrativo nos lugares públicos. Temos direito a isso”, pontuou o bispo.
A vereadora Fernanda Curti (PT), que participou da organização da lavagem da Catedral, defendeu na sessão da última segunda-feira (23) a posição do bispo em prol do diálogo religioso e criticou os discursos de ódio proferidos nas redes sociais.



