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Tarifaço dos EUA pode afetar empresas de Guarulhos e chegar ao bolso do consumidor, avalia especialista

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Foto: RS/Fotos Públicas
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Município, que abriga o maior aeroporto de cargas do país, pode sentir reflexos no custo de produtos, logística e exportações caso aumentem as tarifas norte-americanas

O possível aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos pode gerar impactos para empresas instaladas em Guarulhos e, consequentemente, para os consumidores. A avaliação é do empresário e especialista em gestão Ícaro Queiroz, fundador da Fit Gestão, que aponta efeitos em setores ligados ao comércio exterior, logística e indústria.

Segundo ele, municípios com forte participação nas operações internacionais, como Guarulhos, tendem a sentir mais rapidamente os reflexos de mudanças na política comercial norte-americana.

Cidade tem papel estratégico no comércio exterior

Com cerca de 1,4 milhão de habitantes, Guarulhos abriga o Aeroporto Internacional de São Paulo, principal porta de entrada e saída de cargas transportadas por via aérea no Brasil, além de um dos maiores parques industriais do Estado.

De acordo com Queiroz, esse cenário faz com que alterações no comércio internacional afetem importadores, exportadores, operadores logísticos e indústrias instaladas no município.

Custos podem chegar ao consumidor

Segundo o especialista, empresas que dependem de matérias-primas e componentes importados podem enfrentar aumento nos custos de produção. Já exportadores podem precisar buscar novos mercados caso encontrem dificuldades para vender aos Estados Unidos.

“O empresário não controla tarifas internacionais, taxas de câmbio ou decisões diplomáticas. O que está sob seu controle é a preparação da empresa para enfrentar cenários de instabilidade. Organizações com gestão estruturada conseguem responder mais rapidamente às mudanças do mercado”, afirma Ícaro Queiroz.

Ele ressalta que o aumento dos custos tende a percorrer toda a cadeia produtiva.

“Quando uma indústria paga mais por matérias-primas, componentes importados ou custos logísticos, esse aumento percorre toda a cadeia produtiva. Dependendo do segmento, isso pode refletir no preço de medicamentos, eletroeletrônicos, produtos químicos, veículos e diversos itens presentes no dia a dia das famílias”, explica.

Planejamento é apontado como alternativa

Na avaliação de Queiroz, momentos de instabilidade econômica reforçam a necessidade de planejamento estratégico dentro das empresas.

“O maior patrimônio de uma empresa não é apenas seu faturamento atual, mas sua capacidade de adaptação. Gestão financeira rigorosa, cultura organizacional resiliente e diversificação de mercado. Não podemos governar as decisões de Washington ou de Brasília, mas temos o dever e a responsabilidade de liderar com maestria dos nossos portões para dentro”, afirma.

Para o especialista, a forte integração de Guarulhos com o mercado internacional impulsiona a economia local, mas também torna o município mais exposto às oscilações do cenário global.

“Guarulhos cresceu conectada ao mercado global. Essa integração impulsiona a economia, mas também aumenta a exposição às mudanças internacionais. O desafio das empresas é transformar incertezas em planejamento, reduzindo impactos que, inevitavelmente, também chegam ao consumidor”, conclui.

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