Vítima só recebeu atendimento após a intervenção de terceiros, sendo encaminhada ao hospital, onde morreu cerca de cinco dias depois
O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) denunciou um segurança de uma adega por homicídio triplamente qualificado em razão da morte de um cliente, ocorrida em Guarulhos no dia 20 de outubro. De acordo com a denúncia oferecida pelo promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes, o suspeito discutiu com a vítima por motivo considerado fútil e desferiu um soco em seu rosto. Com o impacto, o cliente caiu, bateu a cabeça no asfalto, passou a sangrar e ficou desacordado.
Ainda segundo o MPSP, mesmo tendo o dever legal de agir para evitar um resultado mais grave, o segurança arrastou o corpo da vítima até um estacionamento ao lado do estabelecimento e a deixou agonizando por mais de uma hora, sem prestar qualquer tipo de socorro. Durante esse período, o suspeito teria, inclusive, ironizado a situação do cliente.
A vítima só recebeu atendimento após a intervenção de terceiros, sendo encaminhada ao hospital, onde morreu cerca de cinco dias depois.
Para o promotor, o segurança criou deliberadamente a situação de risco e, ao se omitir de forma consciente, assumiu o risco do resultado morte. Por isso, foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O suspeito encontra-se preso por força de prisão temporária, e o Ministério Público já solicitou a conversão da medida em prisão preventiva.
O MPSP também requisitou a continuidade das investigações para apurar se o responsável pela adega e outros funcionários teriam induzido o segurança a agredir o cliente. Caso a participação seja confirmada, eles poderão ser denunciados como partícipes do crime. Se não houver comprovação, poderão responder por omissão de socorro qualificada pelo resultado morte.

