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Bacelarismo: Preto de neve e os anões racistas

Vinícius Júnior, na Seleção Brasileira

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Todo carnaval tem seu fim. Mas o racismo, infelizmente, não

Mais um Carnaval se acaba na terra do samba e futebol. E, nesta quarta-feira de Cinzas, eu queria muito falar apenas da neve branca. Da nossa primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno. O ouro de Lucas Pinheiro, num sábado de folia, foi emblemático. Histórico. Emocionante.

E o mais curioso é saber que o calor típico brasileiro — não só da temperatura, mas do coração, do acolhimento — trouxe Lucas de volta ao esporte e lhe abriu as portas para brilhar, paradoxalmente, no frio italiano. Um baita enredo de Carnaval, com direito à nota 10 em todos os quesitos.

Mas como já diria Marcelo Camelo, vocalista do grupo Los Hermanos: “Todo Carnaval tem seu fim”. A frase, por si só, já soa melancólica. E fica ainda mais melancólica quando nosso mestre-sala dos gramados, Vini Júnior, sofre (mais) uma injúria racial na terça-feira mais aguardada pelos brasileiros anualmente.

Carnaval e futebol têm suas semelhanças. Representam bem o que é ser brasileiro. E o gol do Vini contra o Benfica foi tão bonito como um carro alegórico bem produzido. Sua comemoração foi a expressão da alegria que nos caracteriza.

O técnico José Mourinho, do time português, ao invés de falar sobre a lamentável atitude do seu jogador, preferiu “colonizar” a celebração do Vini. “Não me entra”, disse o treinador, que nunca chegou perto de ser um atleta como o camisa 7 do Real e se acha no direito de ser sommelier da alegria alheia.

Que os brasileiros continuem sambando. Que Vini siga bailando. Que Lucas conquiste mais e mais medalhas em esportes de inverno.

Que o Brasil siga sendo o país do Carnaval, do futebol, da alegria, do povo preto e da neve. E que os anões racistas (não estou falando de estatura, mas, sim, de caráter) tenham cada vez menos espaço neste grande bloco chamado sociedade.

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