Publicação reúne orientações em português e na língua ancestral Puri sobre tipos de violência e canais de proteção; lançamento acontece nesta quinta-feira (3)
O povo Puri lança nesta quinta-feira (3), às 9h, a primeira cartilha indígena bilíngue de enfrentamento à violência doméstica de Guarulhos. A apresentação será realizada na Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, na Vila Camargos.
Elaborada pelas próprias lideranças da etnia, com participação especialmente das mulheres, a publicação apresenta informações em português e na língua ancestral Puri. O conteúdo aborda os diferentes tipos de violência contra a mulher, formas de identificar agressões e orientações sobre os serviços e canais disponíveis para buscar ajuda e proteção.
A produção ocorreu durante o Agosto Indígena e alia o enfrentamento à violência de gênero ao trabalho desenvolvido pela comunidade para recuperar e difundir sua língua ancestral.
“Quando um povo começa a estudar mais sua língua busca passá-la para a maior quantidade de pessoas possível. Além disso, a violência contra a mulher está cada vez mais presente no país, fatores que ensejaram essa iniciativa”, afirmou Day Puri, uma das participantes da elaboração da cartilha.
Material terá distribuição gratuita
Alguns exemplares serão impressos e disponibilizados em repartições públicas, mas a principal forma de distribuição será digital e gratuita. A expectativa é que o material também seja divulgado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ampliando seu alcance.
Além de atender mulheres indígenas, a publicação foi elaborada para que pessoas não indígenas também tenham acesso às orientações.
“Será um material totalmente gratuito e a ideia é que as pessoas não indígenas aprendam com ele, que contém os tipos de violência, como elas acontecem, telefones e endereços para buscar apoio”, explicou Day.
A cartilha pode ser consultada pela página da Associação Tua Tuna.
Liderança feminina
A iniciativa também está relacionada à organização social da comunidade Puri. Segundo Day, a estrutura matriarcal do povo, com mulheres ocupando posições de liderança e participando das decisões da comunidade, contribuiu para o desenvolvimento do projeto.
Para a liderança, mulheres de outras comunidades indígenas podem encontrar dificuldades para denunciar casos de violência quando não encontram espaços adequados de acolhimento.
“Nenhuma outra etnia de Guarulhos ousou uma iniciativa como essa para não bater de frente com as lideranças masculinas”, afirmou.
A publicação também busca contribuir para a preservação da identidade Puri em contexto urbano. Ao utilizar a língua ancestral para transmitir informações sobre direitos e proteção, a comunidade pretende fortalecer o processo de retomada linguística e a transmissão do conhecimento entre gerações.
Serviço
O lançamento será realizado nesta quinta-feira (3), às 9h, na Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, localizada na rua do Rosário, 382, Vila Camargos, em Guarulhos.
O povo Puri também realiza encontros mensais na cidade. Informações sobre as atividades são divulgadas pelo perfil da Associação Tua Tuna no Instagram.

