Parceria com a Mind Source Brasil cria o Cepaite, iniciativa que conecta ciência, tecnologia e setor produtivo para acelerar a descarbonização e formar líderes em sustentabilidade
O Centro Universitário ENIAC, em parceria com a Mind Source Brasil, anunciou nesta semana o lançamento do Cepaite, o primeiro centro da América Latina voltado exclusivamente à aplicação de IA (Inteligência Artificial) na transição energética. O projeto tem como foco a redução de emissões, a descarbonização industrial, o desenvolvimento de tecnologias limpas e a formação de profissionais preparados para os desafios do setor.
Criado em meio às dificuldades enfrentadas pelo Brasil na expansão das energias eólica e solar, o Cepaite surge para conectar pesquisa, inovação e mercado, com soluções baseadas em IA para ampliar a eficiência e a sustentabilidade.
“A crescente demanda por energia limpa não é um obstáculo em si, mas revela os gargalos estruturais que precisam ser superados. Um dos maiores desafios enfrentados hoje é a lentidão na conexão de novas usinas solares e eólicas à rede elétrica”, afirmou o reitor do Eniac, Pedro Guérios.
O objetivo da iniciativa é se tornar, até 2030, o principal centro de excelência em pesquisa aplicada de IA para o setor energético na América Latina, atuando na modernização da infraestrutura elétrica, no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e na formação de líderes com visão de futuro.
Arthur Sinnhofer, head de ESG e coordenador do CIT Eniac (Centro de Inovação Tecnológica), destacou que o Cepaite foi estruturado para atender às demandas de empresas, poder público e sociedade, alinhando-se a pelo menos nove ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.
“O centro será um catalisador essencial para acelerar a transição energética, destravar gargalos estruturais e garantir segurança, previsibilidade e escalabilidade para fontes limpas”, pontuou.
IA como ferramenta estratégica
Dados da IEA (Agência Internacional de Energia), divulgados em 2023, apontam que mais de 3 mil GW em projetos de energia estão em desenvolvimento no mundo. Desse total, 1,5 mil GW já estão em estágio avançado, aguardando conexão à rede elétrica. Em alguns casos, os atrasos podem chegar a 15 anos, o que compromete metas climáticas e a viabilidade de investimentos.
Segundo Sinnhofer, a tecnologia aplicada pelo Cepaite pode contribuir para otimizar o planejamento da infraestrutura elétrica por meio de modelos preditivos e gêmeos digitais, priorizar projetos de maior impacto, automatizar análises regulatórias e reduzir ineficiências no processo de licenciamento e integração à rede.

