Ex-deputado e jornalista Paulo Figueiredo afirmam ter levado ao governo americano informações sobre a atuação de organizações criminosas
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o empresário e jornalista Paulo Figueiredo afirmaram nesta quinta-feira (17) que apresentaram a integrantes do governo dos Estados Unidos informações sobre a atuação de organizações criminosas brasileiras e o tráfico internacional de drogas. Entre os pontos mencionados por Eduardo está o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Os dois tiveram uma série de agendas em Washington nesta quinta-feira (17), incluindo encontros com integrantes do Departamento de Estado e da Casa Branca. Além da segurança pública, as reuniões trataram de temas políticos e das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Ao comentar as conversas, Eduardo Bolsonaro afirmou que levou aos americanos informações relacionadas ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Nós subsidiamos a situação brasileira, levando ao conhecimento informações do CV, PCC. Os relatórios divulgados, eles tomam ciência”, declarou.
Na sequência, o ex-deputado usou o Aeroporto Internacional de Guarulhos para sustentar sua avaliação de que seria possível ampliar o combate ao tráfico.
“Guarulhos, por exemplo, segue sendo o aeroporto que mais apreende cocaína no mundo inteiro. Eu já trabalhei lá. Se a gente dobrar a equipe, vai dobrar as apreensões. Se triplicar a equipe, vai triplicar a apreensão de cocaína no Aeroporto de Guarulhos”, afirmou.
O Aeroporto de Guarulhos aparece com frequência em investigações da Polícia Federal relacionadas ao tráfico internacional. Nesta semana, por exemplo, a PF e a polícia federal alemã deflagraram uma operação contra um grupo suspeito de enviar cocaína para a Alemanha por meio do terminal paulista, escondida em cosméticos. Os EUA, segundo Eduardo, têm interesse no combate ao tráfico no GRU Airport.
“Essa droga sai de Guarulhos e de vários pontos e vêm para cá (EUA)”, afirmou.
Documento americano cita o Brasil
As declarações ocorrem após o governo do presidente Donald Trump divulgar a chamada “Major’s List” para o ano fiscal de 2027, documento que identifica países considerados importantes na produção ou no trânsito de drogas ilícitas.
O Brasil integra a relação de 23 países. A inclusão nessa lista, segundo o próprio governo americano, considera fatores geográficos, comerciais e econômicos relacionados ao trânsito ou à produção de drogas e não significa, por si só, que os Estados Unidos tenham classificado o governo brasileiro como descumpridor de suas obrigações antidrogas. Na lista divulgada neste mês, quatro países receberam essa avaliação de “falha demonstrável”: Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.
Paulo Figueiredo afirmou que o combate ao crime organizado esteve entre os assuntos levados às autoridades americanas.
“Há uma quantidade colossal de ações que podem ser feitas [para combater as organizações criminosas]. Uma das missões importantes é o combate ao crime organizado”, disse.
Eduardo também afirmou que discutiu possibilidades de cooperação na área de segurança. Segundo ele, autoridades americanas demonstraram abertura para uma futura negociação envolvendo armamentos, inteligência e transferência de tecnologia para forças de segurança brasileiras.
As reuniões em Washington também tiveram uma agenda política. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo defenderam perante integrantes do governo Trump novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo relatos divulgados após os encontros.

