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Bacelarismo: Desculpe-me

Filipe Luís, treinador de futebol

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Sabia que deveria ter perdido a Copa do Brasileiro, a Libertadores e o Brasileiro. Falha minha ganhar tantos títulos em tão pouco tempo. Prometo piorar da próxima vez

Desculpe-me ganhar de 8 a 0 (11 a 0 no agregado) numa semifinal de Campeonato Carioca.

Perdão, também, por ter quase 70% de aproveitamento em praticamente um ano e meio de trabalho. Talvez, se o meu aproveitamento fosse de 40%, de um time rebaixado no Brasileiro, eu pudesse ficar mais tempo no meu cargo.

Outro erro meu: já estava me esquecendo dos meus fiascos mais graves. Falhei ao conquistar uma Copa do Brasil, que estava quase perdida com o técnico anterior, um Brasileiro, de maneira incontestável, e trazer mais uma Libertadores para o clube — agora como técnico, tornando-me apenas o segundo brasileiro da história a levantar o troféu mais importante do continente como treinador e atleta.

E detalhe: das quatro Libertadores que a equipe tem, participei de três. Num espaço de seis anos. E nem estou contando que cheguei à final de 2021, que, infelizmente, perdemos.

Mas talvez o cara que realmente manda tenha razão: o trem estava na direção errada. O certo mesmo seria não conquistar títulos. Não golear por 8 a 0 (a segunda goleada do time com esse placar em menos de um ano). Não ajudar a transformar o clube, antes chacota na Libertadores, no brasileiro com mais títulos do torneio.

Quem sabe, quando eu voltar, eu faça tudo diferente. Não vamos chegar à final do Carioca? Para que, né? Já temos muitos. Melhor tomar um sacode do Madureira e ficar fora da decisão. Acho que me faltou solidariedade.

Por isso, talvez, eu tenha sido demitido. Num mundo que carece de empatia, querer ganhar tudo não pega bem, né? Falhei em não captar essa mensagem.

Acabei de me lembrar de outra coisa: o que falta para o clube? Um rebaixamento! Edmundo, Romário e Sávio quase conseguiram em 1995, mas não rolou. Pô, será que se eu fosse rebaixado, eu continuaria no cargo? Seria algo inédito, histórico e que me marcaria para sempre no clube.

É isso! Como não percebi isso antes? Fazer algo que nunca ninguém fez. Nem o Romário, melhor jogador do mundo à época, conseguiu. Faltou mudar meu mindset.

Bom, agora sei onde errei. E como puderam perceber, não foram poucas as falhas. Por isso, termino esse texto pedindo sinceras desculpas. Da próxima vez, prometo piorar!

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